* Por Luis Carlos Nacif

Hoje em dia, falar sobre a velocidade com que os negócios se transformam é visto como clichê. Apesar disso, muitos CIOs e executivos de TI de grandes e médias empresas ainda esperam que novas tendências, como hardware definido por software, Inteligência Artificial, entre outras, sejam consolidadas por outros players do mercado, para daí começarem a se mover em direção à inovação, processo que gera estagnação dos negócios, e consequentemente, perda de oportunidades. 

Para driblar esse estado de inércia, diversas empresas estão apostando na aquisição de companhias menores, mais jovens, focadas em desenvolvimento e crescimento rápido, e altamente especializadas, as famosas Startups, com o objetivo de suprir as atuais necessidades dos negócios, seja a criação de uma nova oferta, implantação de uma tecnologia ou cultura disruptiva, etc.

Em outras palavras, é uma aquisição com prazo de validade, pois ela terá um papel temporário – os projetos chegam ao fim! – e logo a startup será envolvida pelos gargalos burocráticos e hierárquicos encontrados nas grandes empresas, deixando para trás os pontos fortes que tornaram esse modelo corporativo revolucionário, que são: simplicidade estrutural, agilidade operacional e disposição a riscos.

Como dica para fugir dessa armadilha (e incorporar o verdadeiro DNA inovador das startups, independentemente do tamanho do negócio), minha sugestão, antes de qualquer coisa, é olhar para dentro da empresa a fim de identificar os processos que destoam dos diferenciais citados acima.

Identificados os gargalos estruturais que atrasam o desenvolvimento da companhia, é hora de reestruturar a forma como as pessoas, da diretoria até o operacional, se comunicam, interagem e cooperam umas com as outras, a fim de criar um ambiente sem barreiras, ordenado e respeitoso, para propiciar à troca de ideias e conhecimento. Dessa forma, a informação flui mais facilmente pela companhia, possibilitando entender e corrigir erros antes que eles se tornem grandes prejuízos.

Após completar esses dois passos, chega a hora de virar a chave. Para isso, é preciso entender que uma startup não mira um crescimento a longo prazo, mas sim a disruptura de determinado segmento ou tecnologia, por exemplo, para agregar o maior valor possível à empresa e dominar o mercado em que atua, no menor tempo possível. Como exemplos dessa prática, vemos a corrida dos aplicativos de carros, delivery (de comida e tantas outras coisas), meios de pagamento etc.

Diante desse cenário, para uma empresa consolidada se adequar a esse modelo de negócio, sua visão de longo prazo tem que mudar para ciclos ou períodos mais curtos, mas altamente focados em crescimento e inovação, com ênfase em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e profissionalização dos funcionários. Só assim é possível realizar uma mudança desse tamanho de forma positiva, estruturada e bem-sucedida.

Pensar e agir como uma startup não é um processo fácil e rápido, além de exigir muita disciplina, mas os resultados são significativos e duradouros, tanto para a empresa como para seus clientes. Por isso, seja o primeiro do seu segmento a partir para esta transformação, ou coma poeira da concorrência.

* Luis Carlos Nacif é fundador e presidente da Microcity

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