Na última semana aconteceu o Cisco Live, um dos maiores eventos da empresa focado na América Latina. Com certeza um dos destaques foi a palestra de Michio Kaku, físico teórico, futurista e cocriador da teoria de campos de corda. Formado pela Universidade de Harvard e Berkeley, Michio passou 25 anos como professor de física teórica no City College de Nova York.

Seu principal desafio tem sido unir as leis de nosso Universo em uma grande “teoria de tudo” – a mesma coisa com que Albert Einstein dedicou grande parte de sua carreira.

Michio começou sua palestra já questionando o público: “quem terá um trabalho no futuro”? Para ele as transformações são como ondas e a primeira aconteceu com as máquinas e locomotivas dos anos 1800 que criaram a riqueza da revolução industrial e que tirou a civilização da pobreza. A segunda veio com a chegada da eletricidade e a terceira com a alta tecnologia. Ainda mais riquezas são criadas por computadores, satélites, lasers, telecomunicações, e a internet nos dá o mundo moderno. Mas e aí? Algum palpite para qual será quarta onda? Segundo o futurista será uma junção de Inteligência Artificial, nanotecnologia e biotecnologia.

Digitalização da economia

Michio destaca que a indústria da música foi a primeira a ser digitalizada. “Lá atras eles tentaram avisar a indústria que todas as músicas estariam na internet, mas eles não acreditaram, o que foi um desastre. Hoje quem domina esse mercado é a Apple Music”, destaca. Quem está passando por esse momento agora é a mídia (TV, filmes), e segundo ele, os próximos mercados que passarão por uma transformação serão: transporte, medicina e finanças.

Como será?

A Inteligência Artificial estará em todos os lugares. Hoje já são usados ​​smartglasses na sala de cirurgia para mostrar exames de ressonância magnética, raios X, históricos de pacientes e etc. No futuro, os trabalhadores verão projetos, arquitetos verão modelos, astronautas verão dentro de seu foguete e você poderá conversar com o dispositivo e obter uma resposta. Eles serão chamados de sistemas especialistas.

Além disso, vamos viver na combinação da Realidade Virtual e Realidade Aumentada em um mundo completamente digital. Segundo Michio, vamos criar mundos imaginários e extrair informações vitais deles. Hoje a Realidade Virtual é muito utilizada para o mundo dos games e para as crianças, mas no futuro os negócios, reuniões, conferências, a educação e treinamentos serão feitos através da Realidade Virtual.

No futuro você vai piscar e ficar online

Para Michio, no futuro nós usaremos lentes de contato e ao piscar elas poderão traduzir diversos idiomas, identificar pessoas e fazer o download de informações de qualquer objeto.

Ex: Ao encontrar com alguém que fala japonês você não terá que se preocupar e tentar entender o idioma, suas lentes farão tudo pra você e você poderá manter um diálogo também no seu próprio idioma.

Ex 2: Você poderá ir a uma balada e automaticamente sua lente irá te dizer quem do ambiente está solteiro.

Ex 3: Sabe quando você encontra com uma pessoa, mas não lembra de jeito nenhum seu nome? Sua lente te dirá na hora quem é a pessoa e de onde vocês se conhecem.

E não para por aí, no futuro teremos produtos customizados em instantes. Ao comprar um vestido, sapato, brinquedos ou camisetas, os produtos serão customizados na hora por uma impressora 3D. “Teremos uma customização em massa, e não produção em massa”, comenta.

Os celulares terão Inteligência Artificial, telas e teclados de qualquer tamanho. Os papeis de parede também serão inteligentes, nele você terá por exemplo, um robô médico, advogado, engenheiro e professor para te dar informações de graça a qualquer hora. Segundo o futurista ainda vamos precisar de humanos médicos, e advogados uma vez que os robôs não podem substituir totalmente trabalhadores qualificados e semi-qualificados, mas os intermediários devem se esforçar para fornecer capital intelectual, ou perderão seus empregos.

Sim, nós teremos o Holodeck do Star Trek sem esperar pelo século 23

Para os fãs do seriado Start Trek isso não é mais uma novidade, o filme traz uma ideia de que por meio de uma câmara os passageiros da nave espacial interagiam na sua holonovela. Holodeck é uma espécie de sala, quarto ou câmara negra com grades, que projeta, por meio de um computador, simulações no qual é possível transformar energia em matéria permitindo, quando acionado, o usuário interagir com coisas ou pessoas virtuais.

Seu carro como robô

Outra aposta do futurista são os caros autônomos que em 2020 estarão com produção de grande escala. Eles usam GPS e radar e são mais seguros do que os motoristas humanos e vão revolucionar o mercado de transporte. Com esse avanço, não precisaremos mais de estacionamentos. “Você vai piscar e seu carro vai vir te buscar. Pode pedir para dar um tour pela cidade e depois ele vai para a garagem por si só. A indústria de Inteligência Artificial vai ser maior do que a indústria automobilística”.

As informações serão transferidas sem problemas e sem esforço, do seu escritório para casa, carro, vitrine, óculos e seu carro também estará perfeitamente conectado a todos esses lugares pois ele vai dirigir a si mesmo.

Carros voadores

Eles já existem! Dubai por exemplo, já realizou testes de um serviço de táxis voadores autônomos que deve ser implementado em até cinco anos. Os veículos são semelhantes a um drone, mas tem capacidade para duas pessoas. A ideia é criar uma série de rotas aéreas sobre a cidade, com pontos definidos para chegada e partida dos drones. Tudo funcionaria de maneira autônoma, com os passageiros voando sozinhos no interior do táxi aéreo, mas com controle direto a partir de uma central localizada bem no meio dos caminhos a serem seguidos pelos veículos.

Michio destaca que em 2025 teremos o avião supersônico, capaz de voar mais rápido que a velocidade do som. Ele conta que a NASA já pediu à sua indústria aeronáutica para produzir um jato supersônico sem sonic boom. Com supercomputadores, agora podemos usar matemática para simular jatos supersônicos sem barreiras sônicas. O benefício disso? Viajar de Nova York para Tóquio em 3 horas.

Prepare-se, nós vamos para Marte!

Em 2030 uma missão tripulada a Marte irá irá colocar nossa tecnologia no limite. Nós vamos precisar dos mais avançadas computadores, sistemas de Inteligência Artificial, telecomunicações, aerodinâmica e ciência espacial.

“A primeira era do programa espacial deu origem à revolução dos computadores, via miniaturização. A segunda era espacial poderá dar origem a computadores ainda mais poderosos”.

E será que teremos engarrafamento em Marte? Michio destaca que três grupos anunciaram o plano de ir a Marte: NASA, Elon Musk’s Space X e Boeing.

Capitalismo perfeito

Mas afinal, o que todas essas transformações significam? Michio explica que estamos caminhando para o capitalismo perfeito, quando o consumidor sabe tudo sobre um produto. Teremos infinito conhecimento de oferta e demanda, através de nossos telefones celulares e lentes de contato. Resultado em uma mais concorrência, preços mais baixos e melhores serviços.

Inteligência Artificial como ferramenta

A Inteligência Artificial pode analisar, prospectar clientes, consumidores e compradores e dados de negócios muito melhor do que um ser humano. No final quem toma a decisão é um humano, portanto a Inteligência Artificial servirá para nós como uma ferramenta.

Michio também destaca alguns trabalhos que são difíceis de ser substituídos pela Inteligência Artificial: São aqueles que utilizam capital intelectual, reconhecimento de padrões, destreza manual e relações humanas como advogados e conselheiros.  “Somente os humanos têm capital intelectual como análise, conhecimento, experiência, inovação e  imaginação”.

Lado positivo do capitalismo perfeito: Os preços serão mais baratos e a vida será mais fácil. Quem se dará bem são pessoas com capital intelectual, pois conseguem realizar trabalhos que os robôs não são capazes e também os trabalhadores semi qualificados como jardineiros, policiais, encanadores, carpinteiros, trabalhadores da construção civil e intermediários que fazem a transição para o capitalismo intelectual. Quem sairá perdendo são pessoas que realizam trabalhos repetitivos.

Digitalização da medicina

Em 1970 Pres Nixon declarou guerra contra o câncer e falhou, por quê? Não tínhamos lasers, computadores e o projeto Genoma. Hoje nós temos computadores e Inteligência Artificial para analisar genes complexos.

Pílula inteligente – Teremos um exame para o câncer que em uma pílula com uma câmera, um computador e um ímã para orientação, você pode engolir e usando IA será possível identificar o câncer.

Nanomedicina atacando o câncer em nível celular – Agora é possível atacar o câncer, célula por célula, armando moléculas. Venenos de quimioterapia são colocados em moléculas que se instalam nas em células cancerígenas, matando-as, célula por célula.

Biópsia Líquida – Usando computadores, e sequenciamento rápido de genes, podemos eliminar as caras biópsias e identificar o câncer com muito mais antecedência.

DNA chips – Como toda sua casa será digitalizada, será possível escanear o câncer no seu banheiro dez anos antes dele virar um tumor. Segundo Michio, a palavra “tumor” vai desaparecer da língua inglesa.

Loja do corpo humano – Poderemos ter órgãos crescentes de suas próprias células à medida que se desgastam. Hoje podemos crescer pele, sangue, válvulas cardíacas, vasos sanguíneos, ossos, nariz e orelhas de suas células. Para os baby boomers, também haverá uma enorme demanda por novos órgãos, como cartilagem artificial para aqueles que sofrem de artrite. “Falência dos órgãos: pode desaparecer do idioma inglês”.

Projeto Connectome – Entre os próximos grandes projetos científicos está o projeto Connectome, focado em mapear todo o cérebro humano. As descobertas do Projeto ajudarão a transformar nossa compreensão da mente e do cérebro humano na saúde e na doença. Ele também pode nos dar uma cura para a doença mental, a imortalidade e também pode nos dar rede cerebral, a internet do futuro.

O cérebro, a próxima fronteira – Hoje os sensores de ressonância magnética podem detectar mentiras no cérebro vivo. Além disso, os computadores podem ler se você estiver pensando em certos objetos e até em palavras individuais. “Telepatia sintética” é uma possibilidade real. Os EUA e a União Europeia gastarão bilhões em projetos do cérebro.

Hoje o nosso cérebro já pode controlar os braços computadorizados. Eventualmente, será possível guiar um exoesqueleto completo também. Além disso, o cérebro faz o ritmo, as memórias passam pelo hipocampo, uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória e importante componente do sistema límbico. Ao gravar os sinais no hipocampo e, em seguida, enviá-lo novamente, pode-se gravar memórias. Segundo Michio, nós provavelmente teremos um marcapasso cerebral para pacientes com Alzheimer. Um dia também será possível fazer o upload de memórias, habilidades e sensações dentro do seu cérebro.

Fotografar um sonho? Michio conta que colocar o cérebro em uma máquina de ressonância magnética pode render 30.000 pontos de fluxo sanguíneo. O computador pode então analisar esses pontos e depois criar uma imagem razoável do que você está pensando (ou sonhando).

Brain net – Na internet do futuro, emoções, sentimentos, lembranças e sensações serão enviados pela internet, criando uma rede cerebral. O entretenimento e os filmes serão substituídos por rede de cérebro.

No futuro teremos uma biblioteca de almas e imortalidade digital. A biblioteca de amanhã terá informações digitalizadas sobre a personalidade de uma pessoa, história, pegada digital e até conectoma. Será possível interagir com figuras históricas do passado. “Em certo sentido, nos tornaremos imortais”, comenta.

Robótica: maior que a indústria automobilística? Um dia, a indústria da robótica pode ser maior do que a indústria automobilística, empregando trabalhadores em reparos, manutenção, projeto, produção, serviços, etc. Talvez um dia também enviaremos nosso conectoma em um feixe de laser para o espaço exterior e, assim, vamos percorrer o universo à velocidade da luz (talvez isso já exista).

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