O investimento anjo alcançou a marca de  R$979 milhões investidos em 2018 , uma queda de 0,4% em relação ao ano passado em comparação ao crescimento de 16% de 2017 para 2018. O volume, apresentou em queda pela primeira vez desde o início da série histórica (2010). Entretanto, o número de investidores cresceu 1,8% chegando a 7750 e com base nas projeções dos investidores, a expectativa é fechar 2019 com crescimento de 5%. Os dados fazem parte da pesquisa  realizada pela Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que fomenta o investimento anjo e apoia o empreendedorismo inovador no país, apresentado em sua integridade durante o 7º Congresso de Investimento Anjo no dia 26 de junho no Cubo, em São Paulo – SP.  

As causas para queda do volume de investimento, segundo Cassio Spina, presidente da Anjos do Brasil, estão ligadas ao perfil dos investidores brasileiros: “Existem dois tipos de perfis no Brasil: os investidores proativos que estão sempre em busca de startups e novos negócios para investir e os chamados  investidores passivos, que são aqueles com um perfil menos buscador e que investem mais naquilo que já conhecem, em startups do seu networking pessoal”, explica.

Neste cenário, o estudo aponta que em 2018, o número de investidores proativos aumentou e o volume de investimento se manteve estável. Já entre os investidores passivos, caiu tanto em número de investidores, quanto em volume de investimento.

Os dados ligam um sinal de alerta no setor, uma vez que no ano passado foi possível notar uma substancial evasão de investidores que entre os destinos no exterior, tem migrado para Portugal. “Somente no ano passado 36 mil, dos 180 mil investidores que possuem mais de 1 milhão de dólares emigraram do país. Em Portugal, um levantamento aponta que foram investidos, por brasileiros, cerca R$ 1 bilhão de dólares em imóveis e isso evidencia esta evasão que sentimos no ano passado”, argumenta Spina.

Conforme explica o executivo, hoje, o volume de investimento no Brasil é apenas 1,2% do que é investido em startups nos Estados Unidos que somam aproximadamente 23,1 bilhões de dólares anualmente. 

“Se levarmos o tamanho do PIB dos dois países vamos ver que esse volume de investimento deveria de ser no mínimo oito vezes maior no Brasil. O que falta ao Brasil são políticas de estímulo para investimento em startups com as aplicadas por inúmeros outros países. E essas políticas não reduziriam no volume de arrecadação tributária. Se tivéssemos, por exemplo, políticas de incentivo similares as do Reino Unido teríamos a oportunidade de aumentar o volume de arrecadação tributária, uma vez que quanto melhor as startups performam, maior será a contribuição tributária delas no futuro, conforme estudo elabora pela consultoria internacional Grant Thornton. Recentemente, a Argentina, mesmo em crise, adotou políticas de estímulo. A África do Sul também tem adotado medidas que além de isenção fiscal, permitem que o investidor compense até 100% do valor investido em seu imposto devido. É urgente a necessidade de o Brasil implantar essas políticas ou ficaremos para trás quando se trata de inovação”, encerra Spina.

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