* Por Lucas Silva

A pandemia causada pelo novo coronavírus atingiu o mundo inteiro de diferentes formas. Além do alto número de mortos, a covid-19 também modificou de maneiras profundas a sociedade brasileira e mundial. Diversos setores da economia foram atingidos, independente do seu tamanho ou importância. 

O setor do turismo, do entretenimento e varejo são exemplos de gigantes que ficaram impotentes diante do vírus. De acordo com uma pesquisa realizada recentemente pela Azulis, empresa do grupo Red Ventures, que conta com outras startups como a IQ e a empresa Onze, o modo de consumir também se modificou. 

Boa parte das consequências sofridas por esses setores, que vemos semana após semana nos jornais e noticiários, são provenientes de alterações no comportamento do consumidor. Diante da proibição de sair de casa, da limitação do orçamento e da incerteza do futuro, comportamentos tão consolidados já não parecem ser mais a regra. 

A pesquisa realizada com base no Dia dos Namorados é capaz de mostrar novas formas de consumir que podem indicar o futuro do comércio no Brasil – pelo menos por um tempo significativo. Assim, setores tradicionais e com alta demanda nessa data, tais como, gastronomia, roupas e acessórios tiveram que se adaptar.

Por ser bastante conhecido como uma data bastante comercial, o dia 12 de junho foi uma ótima escolha para estudar e tentar compreender melhor como vão se comportar os consumidores daqui para a frente. 

O que mudou na hora de comprar o presente 

A pandemia causada pela covid-19 atingiu o Brasil de uma maneira sem precedentes. Mesmo com o exemplo de outros países que sofreram antes de nós, a preparação não foi suficiente para conter a onda de contaminação que vemos atualmente. 

O cenário caótico fez com que todos fossem obrigados a modificar suas rotinas e realizar uma quarentena em casa, longe das ruas, do trabalho e, principalmente, de outras pessoas. 

Para evitar o contágio desenfreado, os governos estaduais implementaram medidas de distanciamento social que apresentaram consequências muito além do que é possível imaginar e, de quebra, afetaram o perfil do brasileiro em geral como consumidor. A pesquisa realizada com foco no Dia dos Namorados revela bem essa mudança. 

Em comparação com a mesma data – dia dos namorados – do ano passado, muitas das intenções de compra são diferentes e podem ser justificadas pelas mudanças causadas pela chegada da covid-19. Como grande exemplo, é possível perceber que houve uma modificação significativa de local de compra. 

Em 2019, a maioria dos entrevistados afirma ter comprado o presente em uma loja física, seja em um shopping ou em uma loja local. A porcentagem daqueles que optaram por pedir pela internet foi de apenas 13,21%. 

Já esse ano, o cenário praticamente se inverteu. 82,34% dos entrevistados afirmaram que irão comprar o presente para seu par através da internet em 2020. Em contrapartida, a intenção de adquirir um mimo em shoppings ou em lojas locais caiu drasticamente – uma mudança totalmente condizente com o cenário caótico atual. 

Quais os segmentos preferidos para esse ano 

Além de onde comprar, os presentes escolhidos também sofreram mudanças esse ano por conta da covid-19. Dentre os entrevistados o grupo está bem dividido entre aqueles que moram com seus parceiros ou parceiras e aqueles que estão mantendo as regras de distanciamento social. 

Ainda assim, muitas são as diferenças entre as intenções de presentes do ano passado para o ano atual, por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus. 

Em conformidade com os resultados anteriores divulgados acima, os principais presentes escolhidos em 2019 foram aqueles possíveis de serem comprados em shopping centers e lojas locais, tais como roupas, flores e jóias. Em último lugar como intenção de presente ficaram os eletrônicos. 

Já em 2020, o cenário é diferente. A maior parte dos entrevistados afirma que irá tentar fazer seu próprio presente. A porcentagem de pessoas nessa categoria passou de 35,91% em 2019 para impressionantes 81,93% esse ano. 

Esse comportamento pode ser parcialmente explicado pelo medo atual de contaminação com o vírus e também diante da crise econômica que vivemos, gastar com presentes não parece ser a prioridade número 1 dos brasileiros no momento. 

Em segundo lugar configuram os eletrônicos, com 60,81% das intenções de compra. Por serem mais fáceis de comprar online e por não demandar em tantas especificações para serem comprados como tamanho e cor, são um setor que pode ter um bom crescimento no dia dos namorados desse ano. 

Presentes personalizados

Para complementar a visão de que os consumidores esse ano estão fugindo de presentes muito personalizados, configura no terceiro lugar como intenção de presente a categoria de doces. 

Não é segredo que o consumo de comida aumentou – e muito – durante a quarentena. Dessa forma faz bastante sentido encontrar essa categoria como uma das mais votadas para presentear no dia dos namorados. 

Os preferidos do ano passado – roupas, flores e jóias – não parecem ser a primeira opção de boa parte daqueles que irão comemorar o 12 de junho. A queda na intenção de comprar esse tipo de presente pode ser explicada por serem produtos muito únicos e íntimos. 

É necessário uma pesquisa, um maior cuidado e também é importante pro consumidor ter a garantia de que qualquer troca será fácil. Com os shoppings e lojas físicas fechadas, errar em um presente como esse é sinônimo de dor de cabeça.

Intenção de gasto

Apesar dos presentes terem se modificado e da maneira de comprar também, a faixa de preço que os consumidores pretendem gastar se manteve do ano passado para o atual. As faixas de preço estão bem distribuídas entre as intenções dos entrevistados e não existe uma que se destaque mais que a outra. 

O que a pesquisa informa de maneira bem clara é que a forma de consumir dos brasileiros se modificou. Apesar do orçamento se manter o mesmo – pelo menos para o dia dos namorados – os tipos de presentes escolhidos em 2020 foram bastante afetados pelo covid-19. 

* Lucas Silva é formado em jornalismo pelo Universidade de Mogi das Cruzes e assessor de comunicação da Red Ventures BR

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