* Por Arethusa Rodrigues

Sou de uma geração que viveu ainda bem jovem o início da democracia no Brasil, que usou roupas com cores um tanto marcantes e onde quanto mais armado fosse o cabelo melhor.

Aquela geração que viu chegar o “bip”, o “www”, o “celular”. Uma geração que precisou se adaptar rapidamente à sua maneira de se informar e de se comunicar, passando rapidamente pelo envio do email para uma discussão pelo WhatsApp. 

Deste tempo, lembro de mulheres incríveis, que dirigiam seus lares com a maestria de dar inveja a muitos CEO, que ao conseguirem estudar, brilhavam como poucos. 

Negros e LGBTs que reinventavam a moda, a música, a arte, a política e a ciência.

Naquele momento, eu só olhava para toda esta efervescência com curiosidade, admiração e uma “dose de rebeldia”. 

Deste tempo, lembro que pratiquei esportes (no ginásio da cidade), estudei música e pintei pano de prato (na escolinha da prefeitura), e tive minha alma moldada por um Igreja (comunidade lá do bairro) que insistia em dizer, assim como meus professores, que onde você deseja chegar não deve ter como limite o seu ponto de partida. Eu morava na periferia de SBC.

Tudo isso eu trouxe para dentro da faculdade.  Engenharia – era sabido que ainda era um mercado de trabalho restrito à entrada de mulheres. Mas qual o problema, dado tudo que eu observava? Nenhum, apenas uma oportunidade de usar a tal “dose de rebeldia”. Terminada a faculdade, trabalhei diretamente na área, no que carinhosamente chamávamos de “chão de fábrica”. Só após esta experiência vim trabalhar na área de tecnologia, em uma empresa que vem evoluindo junto com a sociedade – Itaú.

A primeira coisa que queria dividir com você, que está lendo este pequeno texto, é que o empreendedorismo sempre foi questão de sobrevivência para qualquer grupo minoritário. As mulheres sempre souberam disso, a diferença para o momento atual é que agora tem nome “empreendedora”. Ela sempre fez bolo para completar a receita da casa, ela sempre soube criar uma rede de relacionamento, seja para se proteger, ou proteger os seus. Sabe negociar como ninguém, através das revistinhas ou das reuniões com bolo e chá. E continua a todo vapor, usando a tecnologia como uma alavanca incrível!

No Itaú, tive o privilégio de trabalhar com líderes inspiradoras, muitas mulheres passaram no meu caminho, parte como minhas gestoras.

Vi como o ambiente foi se diversificando ao longo do tempo, e percebi que a cada rodada de mudança, a cara da área de TI mudava e sempre melhorava!

A velocidade da mudança na área técnica foi aumentando cada vez mais, exigindo estudo contínuo e criatividade para manter a competitividade. Estamos exatamente aqui!

Esta é a segunda coisa que gostaria de dividir, neste momento em que ser empreendedor e usar a tecnologia como alavanca para alcançar nosso cliente e construir com ele nosso produto, as mulheres não são coadjuvantes, elas são lideranças necessárias para qualquer empresa, qualquer ecossistema. Elas ouvem como poucos, elas arriscam com segurança e elas persistem. Sua inteligência, mesclada com um ambiente diverso, surpreende!

Se você acredita que através de boas ideias, uma boa dose de persistência e dedicação, um background diverso e muita tecnologia você pode mudar a sua vida e do seu entorno, não desista. Eu dei alguns passos e não tenho dúvida que todas vocês farão voos muito maiores!

Com carinho, 

Arethusa.


Arethusa Arethusa Rodrigues Pontes é CCIO de Crédito no Itaú Unibanco – empresa  mantenedora do Cubo Itaú –  focada em tornar o crédito muito mais simples e acessível a todos. Formada em Engenharia Química pela Faculdade de Engenharia Industrial, pós graduada em tecnologia pela Fundação Getúlio Vargas e Mestrado Executivo pelo Insper, atuou nas áreas de Arquitetura e Engenharia de Software, também já foi é mentora da frente SerMulherEmTech e é membro do TechPower, grupo focado em encorajar as mulheres a atuarem na área de exatas.

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