* Por Exame.com

Há um mês, o aplicativo de delivery iFood ganhou mais dinheiro do que todas as startups da América Latina conseguiram no ano de 2016. Seus 500 milhões de dólares encerraram um ano de economia morna e política instável no Brasil – e, mesmo assim, muito otimismo para as startups nacionais e suas vizinhas.A aposta nos negócios inovadores não é de hoje. Desde 2012, os investimentos em startups da região quase triplicaram. Apenas nos últimos dois meses, os negócios inovadores da América Latina levantaram mais de 1 bilhão de dólares, mais do que o obtido durante todo o ano de 2017.

Muito mais do que preencher uma lista de unicórnios, 2018 provou o amadurecimento do ecossistema de negócios inovadores na América Latina, com startups criadas por volta do ano de 2010 atingindo um estágio avançado e gerando retornos. Foi um ano de mais investimentos internacionais, mais exits (vendas de startups) e maiores valuations.Nathan Lustig, empreendedor serial e sócio do fundo de investimento Magma Partners, listou para o portal de análises Crunchbase alguns acontecimentos de 2018 que mostram o crescimento de negócios inovadores na região – principalmente no Brasil, que lidera o fluxo de aportes em startups.

Veja por que este foi o melhor ano de todos para as startups da América Latina:

1 — Aportes mais polpudos, mas avaliações abaixo da média

Este ano ficou marcado para brasileiros interessados em empreendedorismo inovador pela ascensão de dois unicórnios nacionais – startups avaliadas em mais de um bilhão de dólares. Em janeiro, a 99 foi comprada pela chinesa Didi Chuxing e tornou-se o primeiro unicórnio brasileiro. Em março, a fintech Nubank também se tornou um unicórnio e acumula hoje 707,6 milhões de dólares em aportes. Outros aportes de destaque no Brasil em 2018 ficam com Loggi (rodada de 100 milhões de dólares), Yellow (três rodadas acumulando 75,3 milhões de dólares) e CargoX (60 milhões de dólares).

Na América Latina, uma boa notícia do ano foi o primeiro unicórnio da Colômbia: o aplicativo de delivery Rappi, que já acumulou 392 milhões de dólares em aportes. A mexicana Grin acumulou 72 milhões de dólares em investimentos neste ano e expandiu para outros países, como o Brasil.

Apesar de rodadas cada vez mais frequentes e polpudas, as avaliações do valor das startups continuam abaixo da média, segundo Lustig. Por isso, há muitas oportunidades para investidores participaram de boas negociações.

2 — Empreendedores de sucesso tornam-se investidores

Vários investidores relevantes nos Estados Unidos foram um dia empreendedores de sucesso, que ganharam uma bela quantia ao venderem suas startups. É o caso, por exemplo, dos sócios por trás dos fundos Andreessen Horowitz, Founders Fund e Greylock Partners.

Com um maior número de vendas de startups na América Latina, empreendedores-investidores começam a surgir. Paulo Veras, um dos fundadores do aplicativo brasileiro de mobilidade urbana 99, cocriou o fundo de investimento Canary, focado em investimentos semente e Série A.

Os mexicanos Daniel Undurraga e Oskar Hjertonsson, fundadores do serviço de delivery Cornershop, já investiram na Babytuto, e-commerce de produtos para bebês criado por um de seus funcionários. A Cornershop foi adquirida pela varejista Walmart em setembro, por 225 milhões de dólares.

Enquanto isso, a aquisição do e-commerce mexicano Linio pela varejista Falabella fez com que os fundadores Antonio Nunes, Bernardo Cordero, Fernando D’Alessio, Pedro Freire, Ulrick Noel e Wilson Cimino fundassem outras startups, como Mercadoni e Tricae, ou fundos de investimento como STARTegy Venture Builder, D Capital Partners e Everdeen Capital.

3 — A chegada dos chineses e das aceleradoras globais

Os chineses estão de olho nas oportunidades latino americanas, diante da timidez dos investidores dos Estados Unidos. Além do dinheiro, e experiência em tecnologia financeira é outro atrativo para os empreendedorismos da região.

O exemplo mais conhecido pelos brasileiros dessa influência talvez seja a mencionada aquisição da 99 pela gigante Didi Chuxing. Mas os chineses também fizeram investimentos nas fintechs Nubank (por meio de um investimento da gigante Tencent, do WeChat) e Stone (por meio da compra de ações pela gigante Alibaba, do AliExpress, em sua oferta pública inicial de ações, ou IPO).

Além dos investidores chineses, é importante ressaltar a entrada de aceleradoras globais na América Latina. Além da chegada de startups da região a aceleradoras como Y Combinator, no Vale do Silício (Estados Unidos), movimentos como Techstars, Startupbootcamp e TechCrunch Startup Battlefield expandiram para a América Latina neste ano.

* Por Mariana Fonseca, para Exame.com

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