* Por Rodrigo Santoro

Inspirado
pelo famoso dilema: “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”, trago para vocês
a seguinte questão: “o que é mais importante para a expansão do uso dos meios
eletrônicos de pagamento, a emissão ou a aceitação?”.

Embora
uma não exista sem a outra, descobrimos recentemente que a aceitação pesa três
vezes mais que a emissão no Brasil para o avanço dos pagamentos digitais. Esse
dado surgiu do “Índice de Maturidade para Pagamentos Digitais”, da Visa
Consulting & Analytics (VCA), que mapeou e
diagnosticou o grau de desenvolvimento dos pagamentos eletrônicos de todos os
municípios do País. Ou
seja, se queremos levar os benefícios de pagamento eletrônico para todo o
Brasil, devemos investir cada vez mais no parque de aceitação.

Em
parte, isso é explicado pela avançada bancarização dos brasileiros. Em geral, todos
que possuem conta bancária recebem ao menos um cartão de débito, o que acaba
por deixar a questão da emissão mais adiantada. E o que é um bom índice de
emissão por habitante? Pelos nossos cálculos e metodologia, as cidades
brasileiras com um bom indicador de emissão têm uma proporção de 2.500 cartões
para cada 10.000 habitantes.

O
mesmo estudo mostra que quando o assunto é aceitação, uma cidade com um bom
indicador teria 276 maquininhas de cartão (POS) para cada 10.000 habitantes. Em
cidades com baixo índice de aceitação, esse número fica em 32 máquinas a cada
10.000 habitantes. Mas não é apenas uma questão de número de POS. A diversidade
de categorias de segmentos comerciais que aceitam pagamentos eletrônicos em uma
cidade, também afeta a aceitação e consequentemente o comportamento digital da
população. Se o consumidor percebe que pode pagar eletronicamente por todas as
suas compras e serviços nos estabelecimentos comerciais, rapidamente deixa de
utilizar o dinheiro em espécie e passa a carregar somente o cartão.

Dentro dessa equação entre emissão e aceitação, ainda
existe uma dimensão extremamente importante – até mais do que as duas citadas: a
infraestrutura. Isso
porque sem acesso à banda larga ou a frente de caixas eletrônicas, o
ecossistema de pagamentos digitais não consegue se desenvolver. E, por meio do
estudo, notamos que mais de 37% das cidades brasileiras têm problemas básicos
de infraestrutura.

Essas e outras descobertas foram possíveis graças à
consolidação de mais de 300 variáveis. O levantamento levou em conta
informações como número
de cartões por habitante; transações de débito e de crédito; quantidade de
caixas eletrônicos; número de agências bancárias; acessos em banda larga; dados
de maquininhas de pagamento por habitante e por quilômetro quadrado, PIB; IDH
(Índice de Desenvolvimento Humano) e informações populacionais e educacionais.

Resumindo: diria que para aumentar o uso dos pagamentos eletrônicos é preciso investir mais na aceitação. E vejo que isso tem crescido cada vez mais com a chegada de novos players e formatos no mercado. O que não significa que a emissão não seja importante, pelo contrário. Em paralelo ao investimento em ampliar o número de POS nas cidades, deve-se também continuar investindo na emissão de cartão ou qualquer dispositivo de pagamento, seja ele crédito, débito ou pré-pago. Será investindo nos dois lados de forma integrada que conseguiremos levar às mais diferentes cidades os benefícios do pagamento eletrônico. Com o aumento do uso, emissão e aceitação de meios eletrônicos de pagamento, esperamos contribuir para o desenvolvimento tecnológico, aumento da inclusão financeira e digital da população, além de ajudar a diminuir gastos operacionais e com segurança, decorrentes do uso do dinheiro em espécie. Vamos juntos fazer uma verdadeira transformação no País.

* Rodrigo Santoro é diretor da Visa Consulting & Analytics.

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