*Por Luciane Lima

Às vezes, a gente se limita na vida pessoal e
profissional por puro preconceito e deixa de viver experiências enriquecedoras.
Eu vivi uma situação parecida com essa há pouco tempo, mas consegui transformar
uma limitação em uma revolução na minha carreira. Vou compartilhar com vocês um
pouco dessa trajetória. Tudo começou quando a empresa em que trabalho
apresentou um plano de aceleração para startups brasileiras e os funcionários
teriam um papel fundamental nesse processo.

A novidade foi muito bem recebida por todos na época.
Estar conectado a esse ecossistema de inovação com certeza seria construtivo
tanto para a empresa como para o desenvolvimento profissional de todos. Foi então
que me questionei: “O que minha experiência na área financeira de grandes
empresas poderia agregar nesse ecossistema de empresas tão disruptivas, que
usam inteligência artificial, blockchain, data analytics?”. Num primeiro
momento, achei que era algo para o time de tecnologia,  mas, ao mesmo tempo fiquei inclinada a
participar desse processo.

Sempre que entro em qualquer estabelecimento comercial,
seja ele uma livraria, um restaurante, uma padaria, me pego tentando entender o
funcionamento do negócio e sua rentabilidade. Faço cálculos rápidos, como, por
exemplo, número de almoços servidos, ticket médio, custos fixos. Às vezes até
converso com alguém do estabelecimento e faço alguma pergunta mais “técnica”. E
foi num destes momentos que pensei: ora se faço isso de forma rotineira, acho
que posso contribuir com as startups sim!

Entrei no projeto e comecei a mentorar as fintechs, uma das mais acertadas decisões da minha carreira nos últimos anos. Percebi que, por trás de tanta inovação, existia também uma empresa como qualquer outra, buscando o breakeven, correndo atrás de investidores, tentando entender como otimizar as despesas, funcionários, impostos, mas que também visavam devolver algum benefício para a sociedade.

Tem sido muito gratificante fazer parte disso. Conseguimos, eu e meu time na Visa, levar um pouco mais de conhecimento para esses empreendedores, e me surpreendi com a importância que eles davam a essas horas de mentoria. É gratificante enxergar que você está fazendo a diferença e perceber o quão valiosa a sua jornada pode ser para aqueles que estão começando um novo desafio.

Posso dizer que ensinei muito, mas aprendi também.
Desde que iniciamos esse relacionamento com essas sturtups, fizemos algumas
reflexões na nossa área. Vimos que podemos arriscar mais, testar e corrigir o
erro rapidamente, a valorizar a experiência do usuário e, como reflexo disso
tudo, hoje, vimos que podemos ter processos mais simples, convenientes e
digitais. Nós, da área de Finanças temos que ir além dos números e do Excel,
utilizando a nossa capacidade de análise para estarmos mais próximos do
negócio. Essa troca de experiência com esses empreendedores tem ratificado esse
meu pensamento.

Além da experiência de mentoria, tive a honra de ser
madrinha de uma das startups aceleradas. O papel de madrinha vai além do de
mentor. Os encontros devem ser mais frequentes, existe maior proximidade entre
as partes. Em contrapartida, consegui abrir portas aqui dentro da Visa ao
entender melhor os desafios que eles estavam enfrentando.

A troca que eu obtive com as experiências acima me fez
sair da minha zona de conforto, reavaliar a forma como faço as coisas, e
consequentemente inovar e evoluir profissionalmente. Por isso, sugiro que esqueçam
os preconceitos e não diminuam a força da experiência que vocês têm,
independentemente da área em que trabalha. Existe muita gente sedenta por
trocar conhecimento e melhores práticas. Permita-se transformar e ser
transformado.

*Luciane Lima é diretora executiva de Finanças da Visa

Publicação Original


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