Em artigo, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, discute a importância de ampliar a disponibilidade de recursos para as micro e pequenas empresas

Por Carlos Melles,

Presidente do Sebrae

Os efeitos econômicos da pandemia da Covid-19 atingiram em cheio os pequenos negócios no Brasil. Pesquisas recentes feitas pelo Sebrae mostram que 41% dos negócios com até cinco anos de atividade, e que fecharam as portas em 2020, tiveram a crise sanitária como fator principal para o insucesso. A pandemia impactou diretamente nossa taxa de empreendedorismo, que caiu mais de 18%, atingindo o nível mais baixo em oito anos, colocando o país entre uma das nações com maior queda na atividade empreendedora no mundo.

Se os pequenos negócios sofrem, a economia do país – inevitavelmente – padece junto. Afinal, os microempreendedores individuais (MEI) e as micro e pequenas empresas correspondem a cerca de 99% do total de empreendimentos formais no país, são responsáveis por 30% do Produto Interno Bruto e geram mais da metade das vagas formais de trabalho. A série de pesquisas feita pelo Sebrae e pela Fundação Getúlio Vargas sobre o impacto da pandemia mostrou que, no último mês de março, 79% dos pequenos negócios ainda registravam um faturamento menor que o verificado antes da crise.

Quando indagados sobre as medidas que deveriam ser prioridade por parte do governo federal, em 2021, a política pública mais citada (45%) foi a necessidade da extensão das linhas de crédito, a exemplo do Pronampe. Os números do sistema financeiro mostram que apesar do significativo crescimento no volume de recursos emprestados para empresas em 2020 (cerca de R$ 1,64 trilhões, o que significou um aumento de 28,8% em relação a 2019), somente 21,3% do total dos empréstimos foram concedidos para micro e pequenas empresas.

O Sebrae tem atuado, com especial ênfase nesse período da pandemia, pela ampliação e simplificação do acesso dos pequenos negócios a crédito. Para isso, mantemos diálogo permanente com os governos, em todas as instâncias, com o Congresso e incontáveis parceiros. Além do sistema bancário convencional, nossa preocupação tem sido no sentido de estimular o surgimento e fortalecimento de novos atores e novas modalidades de crédito. É o caso das fintechs, das maquininhas de cartões, das cooperativas, das sociedades de crédito direto e outras tantas inovações que estão surgindo a cada dia no mercado, tornando o crédito mais descentralizado, simples, barato e rápido.

Entendemos que a ampliação e simplificação do crédito é tarefa fundamental nesse momento, em que ainda convivemos com as necessárias medidas de segurança sanitária, mas será ainda mais importante para o país no período pós-pandemia. Quando os donos de pequenos negócios retomarem as atividades normais, com a vacinação de todos os brasileiros, eles precisarão de crédito para equilibrar o caixa e para poderem investir em melhorias que possibilitem o aumento da produtividade e competitividade. O desafio tem o tamanho da nossa burocracia, mas sabemos que com trabalho e união de todos os agentes – públicos e privados – ele poderá ser superado.

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