*Por Rodrigo Macena

Imagine que alguém chega em casa e diz, em voz alta: “Estou com uma crise de enxaqueca”. Mesmo que more sozinha, essa pessoa não está falando somente com as paredes. E o que diz trará consequências bem práticas para a sua qualidade de vida, pensando no problema verbalizado por meio da frase citada.

Pense que esse indivíduo em questão esteja conversando com uma assistente virtual. E que, a partir de suas palavras, o robô tomará medidas para prestar auxílio em relação à dificuldade expressada.

O dispositivo poderá, por exemplo, checar o estoque doméstico do medicamento geralmente consumido por seu dono em caso de dor de cabeça. Caso esteja em falta, acionará a farmácia on-line que oferecer o melhor preço de momento para a medicação, providenciando em seguida a sua entrega – bem como o pagamento pela compra.

Além disso, a assistente enviará uma mensagem para o médico da pessoa, checando horários disponíveis de consulta e repassando-os para o paciente para que ele confirme a melhor data para o compromisso. Simultaneamente o robô encomendará via aplicativo um jantar mais leve e balanceado, de acordo com o quadro de saúde apresentado pelo morador – e considerando recomendações de sua nutricionista. Em paralelo, regulará toda a iluminação da casa de modo a torná-la a mais suave possível, visto que claridade em excesso costuma perturbar quem enfrenta uma crise de enxaqueca. E que tal uma música relaxante para ajudar? Deixem isso com a assistente também, ela vai se encarregar do som ambiente.

Tudo o que estamos descrevendo não é previsão do futuro pouco embasada ou algum roteiro do desenho animado Os Jetsons. São situações totalmente viáveis já com a tecnologia do presente e que poderão estar de fato disponíveis em poucos anos para muita gente. Afinal, a Inteligência Artificial tem caminhado a passos largos no desenvolvimento de conexões que facilitem o cotidiano contemporâneo.

Um conceito-chave nesse processo é o de integração. No quadro descrito acima, perceba que vários aspectos da vida do indivíduo são cruzados a partir de uma única informação, envolvendo no episódio toda uma rede de

relacionamentos de consumo de produtos e serviços – profissionais da saúde, que podem fazer parte de um plano; e-commerce, tanto para os itens da farmácia quanto no caso do pedido de comida; e mesmo os recursos de uma casa inteligente, no que diz respeito ao ajuste da iluminação e à aparelhagem de som.

Consumidores exigentes

Claro que o nível de implementação de interligações como essas depende de uma série de fatores relacionadas tanto ao meio como ao próprio indivíduo. A constituição de tais cenários passa pela disponibilidade das tecnologias, o que varia muito de acordo com a região do planeta.

Mas é certo que os consumidores se tornam cada vez mais exigentes em termos de experiências e jornadas que vivenciam nas plataformas, o que leva à busca pela excelência por parte dos desenvolvedores.

As condições orçamentárias de cada família também são determinantes, lembrando que muitos dispositivos eletrônicos tendem a se tornar mais acessíveis com o tempo. Entre eles, podemos citar gadgets como os óculos de realidade virtual. Seus recursos hoje possibilitam aplicabilidades práticas para os negócios que revolucionam os paradigmas de experimentação antes de uma compra. No mercado imobiliário, podem ser usados para o potencial cliente enxergar totalmente mobiliado o apartamento que deseja comprar, isso sem qualquer decoração ou móvel fisicamente colocado lá.

Impressoras 3D, por sua vez, são um ótimo instrumento para a produção de artigos personalizados ou para a prototipagem de itens. Relógios inteligentes já monitoram as condições cardíacas de pacientes e avisam o sistema de saúde caso sofram um ataque.

O ainda elevado custo desses equipamentos deverá se tornar menos proibitivo em breve. A tendência é que assistentes virtuais também se popularizem e passem a integrar a rotina de um número cada vez maior de pessoas.

No Brasil, o ritmo das transformações ainda tem muito o que acelerar. Ocupamos o 62º posto no ranking de 2020 do Índice Global de Inovação, levantamento que envolve 131 países e cuja produção inclui a CNI (Confederação Nacional da Indústria). É uma colocação incompatível com o fato de sermos a 9ª maior economia do mundo, a despeito de termos muitos profissionais qualificados de TI para elaborar projetos eficazes de integração.

De qualquer maneira, podemos afirmar que, mesmo com eventuais descompassos, estamos no mesmo caminho mundial de quebra de padrões. No geral, as inovações tecnológicas têm moldado ecossistemas em níveis tão irruptivos que surpreenderiam até os mais antenados roteiristas de Os Jetsons – e eles eram bem criativos, por sinal.


Rodrigo Macena, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Webjump.

Publicação Original


0 comentário

Deixe uma resposta