
Startups em busca de crescimento têm recorrido a uma alternativa que começa a se consolidar no país: executivos sob demanda. O modelo, já adotado em mercados internacionais, permite que companhias acessem lideranças seniores em momentos críticos, sem a necessidade de contratação permanente.
Foi o caso da Food to Save, plataforma de combate ao desperdício de alimentos. Para estruturar a área financeira e se preparar para uma rodada de captação, a empresa contratou um CFO on demand. Em nove meses, o executivo apoiou a organização de indicadores, revisão de contratos e modelagem financeira, contribuindo para a conquista de um aporte de R$ 14 milhões.
Experiência aplicada de forma flexível
Entre os profissionais que atuam nesse formato está Wilson Lima, executivo com trajetória em recursos humanos, com passagens por MetLife, Dafiti, Estadão, Terra Investimentos, entre outras organizações. Após mais de duas décadas em cargos de liderança, optou por atuar em projetos pontuais, conciliando a carreira com estudos de mestrado.
Em uma de suas experiências, apoiou a Grafeno em iniciativas de cultura organizacional, remuneração e recrutamento. Para ele, a atuação sob demanda amplia a capacidade de adaptação e permite atender necessidades específicas de cada empresa.
Estruturação do modelo no ecossistema de startups no Brasil
Wilson integra a base da Chiefs.Group, companhia que busca consolidar a chamada Open Talent Economy no Brasil. A empresa conecta executivos a startups e organizações de diferentes setores, oferecendo soluções como contratos parciais, interinos, mentorias e projetos específicos.
Segundo a fundadora e CEO, Cris Mendes, a demanda surge principalmente em momentos de dificuldade ou transformação estratégica. Funções ligadas a finanças, crescimento e recursos humanos estão entre as mais procuradas, em setores como tecnologia, consumo, varejo e indústria.
Em 2025, a Chiefs.Group firmou parceria exclusiva com a Heidrick & Struggles, uma das maiores firmas globais de recrutamento executivo, com o objetivo de expandir o modelo on demand pela América Latina.
Visão dos investidores
A solução também desperta atenção de fundos de investimento. Ana Carolina Vianna de Rezende, partner da Astella Investimentos, relata que três empresas do portfólio já recorreram ao formato. Em um dos casos, a atuação de um CTO sob demanda ajudou a estruturar a área de produto; em outros dois, CFOs temporários deram suporte em finanças.
Para a investidora, contar com lideranças seniores em períodos críticos pode acelerar resultados e criar bases mais sólidas para crescimento. “Muitas startups apostam em equipes júnior para crescer junto com o negócio. Em determinados momentos, inserir profissionais experientes por tempo limitado pode antecipar processos e escalar operações com mais velocidade”, explica.
A adoção do modelo levanta debates sobre sustentabilidade e impacto no mercado de trabalho executivo. Para Wilson Lima, trata-se de uma prática consistente. Segundo ele, o chief participa da implementação de soluções, indo além de relatórios ou recomendações.
Já para investidores, a tendência deve se expandir à medida que companhias buscam mais estrutura sem perder agilidade. A aposta é que a aquisição de competências por meio de contratos temporários se torne parte da estratégia de inovação das startups.
Atualmente, a base da Chiefs.Group reúne mais de três mil executivos, sendo 1,3 mil em posições seniores, com passagens por empresas como Google, Disney, Nike e Santander. Do outro lado, dezenas de companhias já testam o formato, ampliando a presença de lideranças temporárias no mercado.
Ao oferecer acesso a experiência em períodos-chave, o modelo se apresenta como alternativa para organizações que precisam avançar em estrutura, planejamento ou governança sem assumir custos fixos de longo prazo. Para investidores e gestores, a questão passa a ser quando, e não se, a contratação de executivos sob demanda fará parte do planejamento.
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