* Por Diogo Catão

O Banco Mundial lançou em 2021 o Govtech Maturity Index (GMI), um ranking que avaliou 198 países e o índice de maturidade das govtechs. O Brasil ficou em sétimo lugar, uma boa posição frente às demais nações.

Nesse estudo foram levados em consideração alguns fatores, como o suporte aos principais sistemas de governo, aprimoramento da prestação de serviços, integração ao engajamento do cidadão, incentivo às habilidades digitais das pessoas no setor público, ao regime legal e regulatório apropriado, à capacitação e à inovação.

Apesar do Brasil ter alcançado uma boa colocação, ainda tem muito a crescer na área. No país, diversas prefeituras estão lançando desafios de inovação e várias startups e empreendedores estão se direcionando para a criação de soluções governamentais, mas ainda em fases bem iniciais.

Já temos algumas soluções que cresceram e vêm atendendo de forma mais robusta. Entretanto, no geral, ainda há um longo trabalho. A perspectiva é que nos próximos cinco anos o setor possa avançar de forma expressiva, inclusive, com a possibilidade de alcançar o top 5 do ranking mundial.

Quais são os setores públicos que mais precisam de auxílio das govtechs?

É importante deixar claro que cada região (estado e cidade) tem sua vocação e suas prioridades, por isso é preciso saber quais setores públicos necessitam de mais atenção e auxílio.

Também é possível perceber que a área da saúde (o SUS) conta com demanda acima da média. Por isso, é muito importante que as startups busquem solucionar esses problemas devido ao tamanho das necessidades da área, tanto a nível municipal como estadual e nacional.

Além da saúde, também observamos questões a serem supridas na educação, segurança pública, no saneamento básico, entre outras áreas. Fato é que todos os setores públicos do país têm boas oportunidades de investimento em inovação e tecnologia.

Partindo do exemplo da área da saúde, as tecnologias podem ir ao encontro da criação de prontuários eletrônicos; telemedicina; de sistemas de gestão para as áreas administrativas; gestão de dados; da criação de aplicativos, como ferramentas de biometria, câmeras de monitoramento etc.

Também podemos falar de contribuições no âmbito de testes laboratoriais remotos, que ajudam a otimizar a rotina dos hospitais e das unidades de saúde, possibilitando ampliar o atendimento. Até mesmo os sistemas de agendamento ajudariam na desobstrução das filas.

Por meio da cloud computing (armazenamento das informações na nuvem), é possível ainda promover mais segurança e controle dos dados, deixando-os disponíveis e autorizados apenas para uso do próprio SUS. Isso ajudaria na precisão das informações dos pacientes que estão em locomoção entre outros estados, por exemplo, porque existiria o acesso ao histórico, diagnóstico ou atendimento prévio, auxiliando na tomada de decisão dos médicos.

Diante disso tudo, as venture builders se apresentam como organizações que ajudam a criar, validar e acelerar diversas startups de forma simultânea, identificando as necessidades do mercado e os potenciais parceiros para captação de recursos, seja em plataformas de crowdfunding, seja em grupos de investidores-anjo, seja por meio de venture capital, se houver necessidade.

Quando a startup está trabalhando em conjunto com uma venture builder, que tem um leque de clientes em sua rede, fica mais fácil acessá-los. Assim, cria-se boa vantagem competitiva. Além disso, a empresa fica mais preparada para enfrentar o momento inicial do negócio (seus três primeiros anos). Com uma sócia estratégica relevante como uma venture builder, suas chances de sobrevivência aumentam e encurta-se o período de validação.

A tendência é cada vez mais startups direcionarem esforços para os desafios do setor público e melhorarem a qualidade de vida da população, tornando o segmento mais digital, transparente e reforçando a comunicabilidade de forma integrada. Vários órgãos públicos já estão executando ações nesse sentido e alcançando resultados positivos. Portanto, o cenário para os próximos anos é bastante promissor.


Diogo Catão, CEO da Dome Ventures, uma Corporate Venture Builder GovTech que nasceu com o propósito de transformar o futuro das instituições públicas no Brasil.

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