
Depois de originar mais de R$ 750 milhões em crédito produtivo desde 2019, a mineira Blips, fintech de crédito B2C especializada em vender, financiar e alugar equipamentos para micro, pequenos e médios empreendedores, decidiu transformar sua estrutura interna de financiamento em uma fintech independente. A empresa anunciou a criação da Finza, fintech especializada em conectar a indústria e micro e pequenos empreendedores, que nasce com o objetivo de escalar o modelo para outras indústrias e ampliar o acesso a crédito para micro e pequenos empreendedores fora do sistema bancário tradicional.
A movimentação marca um novo ciclo de expansão da companhia, que mantém cerca de 9 mil equipamentos financiados em operação no país. Até então, o crédito estava atrelado exclusivamente aos ativos – como máquinas para os setores de impressão, estética e alimentação, comercializados pela própria Blips. Com a Finza, a infraestrutura passa a ser ofertada a parceiros industriais interessados em estruturar financiamento diretamente nos canais de venda.
“A decisão de separar a operação foi estratégica. Percebemos que o modelo poderia atender outras cadeias produtivas além daquelas em que já estávamos atuando. Ao estruturar a fintech, conseguimos escalar mantendo governança, previsibilidade e controle de risco”, afirma Adolfo Sortica, CEO da Blips.
O modelo combina motor proprietário de análise de crédito, monitoramento por tecnologia embarcada nos equipamentos financiados e uma plataforma estruturada de cobrança. A integração permite o rastreamento e controle remoto dos ativos.
Blips e o apoio ao empreendedorismo nacional
A tese da empresa se apoia em um cenário de restrição ao crédito produtivo, visto que um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 80% dos empresários já enfrentam dificuldades para acessar crédito e citam os juros elevados como principal entrave. Já a pesquisa do Simpi, em parceria com o Datafolha, mostrou que 60% das pequenas indústrias que buscam financiamento têm o pedido de crédito negado.
“A indústria brasileira depende de capital produtivo para crescer, mas o modelo bancário tradicional nem sempre atende esse perfil. Estruturamos uma alternativa que conecta tecnologia, ativo real e financiamento direcionado à geração de receita”, afirma Ricardo Rocha, Board Member e cofundador da Blips.
A Finza iniciou atividades no segundo semestre de 2025 e, somente no primeiro bimestre de 2026, já emitiu R$ 4 milhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCB), quadruplicando o volume inicial, além de consolidar parceria com as marcas Rhino, Raízen Machine e Mak CNC, que passam a oferecer financiamento da Finza como forma de viabilizar a aquisição dos equipamentos aos seus clientes finais. A projeção é encerrar 2026 com carteira de R$ 40 milhões e expandir gradualmente a atuação para novos segmentos industriais.
“A Finza nasce para estruturar um novo ciclo de crédito produtivo no país, onde tecnologia, controle e geração de receita caminham juntos. Ao conectar indústrias consolidadas ao microempreendedor, ampliamos o acesso ao investimento produtivo e fortalecemos a economia real”, destaca Rocha.
Para a Blips, o avanço representa diversificação estratégica e maior escala potencial. Pois, ao dissociar o crédito da venda direta de equipamentos, a companhia passa a atuar como provedora de estrutura financeira para terceiros, movimento que aproxima o modelo de uma fintech de infraestrutura.
“O crescimento da Finza ocorrerá de forma estruturada, acompanhando a expansão da base de parceiros industriais. O objetivo é transformar a fintech em uma plataforma de crédito produtivo integrada à rotina comercial das indústrias, operando como infraestrutura financeira”, finaliza Sortica.
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