Na era da hiperconectividade, um mero push notification enviado por engano tem o poder de derreter reputações em segundos.

O recente pedido de desculpas de Cristina Junqueira, após um teste de sistemas vazar um alerta falso sobre a liquidação do Nubank, escancarou um incômodo paradoxo. O roxinho hoje tem tamanho e valor de mercado de gente grande, mas a operação derrapou num amadorismos típico das “empresas de garagem”.

Primeiro, porque a cultura de startup preza pela velocidade extrema. Só que, quando se gerencia o dinheiro de mais de 100 milhões de correntistas, o clássico lema de “errar rápido” gera pânico financeiro, e não inovação.

Segundo, falta a governança blindada dos bancões tradicionais. O Nubank escalou em ritmo geométrico, mas seus processos internos de controle parecem não ter acompanhado o rigor exigido para o seu novo patamar institucional.

Por fim, a marca é refém da própria narrativa de disrupção e infalibilidade. E quando um erro técnico básico acontece, o preço exigido pela percepção pública vem com juros abusivos.

O Nubank pode ter descoberto que não dá para colher o lucro de gigantes mantendo o arrojo dos iniciantes. Agora é esperar para ver se o mercado tolera um titã financeiro que ainda sofre com dores de estagiário.

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