Há uma mudança perceptível no ambiente de Florianópolis nesta semana. A nona edição do Startup Summit, que começou nesta quarta-feira no CentroSul, não é só mais um evento de tecnologia no Brasil: é a afirmação de que Santa Catarina é um dos maiores centros de inovação e empreendedorismo da América Latina. O que, em 2018, era uma ousada iniciativa para demonstrar que o estado tinha potencial para ser reconhecido no cenário global de startups, agora se reflete em números que falam por si, mais de 6,1 mil empresas de base tecnológica na capital, 102 mil empregos em todo o estado e um setor que gera R$ 47,9 bilhões. Florianópolis, que tem 25% do seu PIB gerado pelo setor tecnológico, deixou de ser uma promessa e agora é uma realidade bem estruturada. O Startup Summit reflete, em grande parte, esse processo de amadurecimento.
A programação deste ano é uma clara demonstração de que o evento acompanhou, em evolução, o mesmo ritmo do ecossistema que representa. Com 10 palcos operando ao mesmo tempo, 283 palestrantes e 17 trilhas de conteúdo, a programação ultrapassa bastante o hype habitual. Serão debatidos temas como inteligência artificial, DeepTech, AgTech, HealthTech, internacionalização, fusões e aquisições, entre outros, e a expectativa é de que 10 mil pessoas participem presencialmente e 20 mil online.
É o caso do Programa de IA, da ACATE, que foi lançado durante o evento e que aponta para uma preocupação madura: não basta festejar a tecnologia, é preciso acelerar a sua adoção prática nas empresas catarinenses. Da mesma maneira, a apresentação da Jornada IBID SC 2030 e a 6ª edição do Inova Startups evidenciam que o discurso sobre inovação está sendo transformado em políticas estaduais e programas nacionais que têm um impacto real.
A grande razão pela qual esta edição é tão significativa é que o Startup Summit ganhou uma dimensão internacional. Com a presença de 29 delegações internacionais de pelo menos 30 países, rodadas de matchmaking com investidores globais e o Tech Tour Rota da Inovação, Florianópolis se torna uma plataforma de conexão entre o capital de risco internacional e as startups brasileiras. São mais de 200 startups expositoras, 180 grandes corporações à procura de colaborações e mais de 150 fundos de investimento e venture capital percorrendo os corredores.
Rodrigo Soares, o presidente do Sebrae Nacional, trouxe uma mensagem clara: o Brasil ocupa a segunda posição no ranking das nações com o maior potencial empreendedor do mundo, e eventos como este são prova de que o ecossistema brasileiro está maduro o bastante para criar soluções que tenham impacto global. Santa Catarina, nesse cenário, passa de um excelente lugar para viver a um local estratégico para investimentos.
O que podemos antecipar para o Startup Summit 2026 vai muito além das palestras e dos painéis. É esperado que seja apresentada uma demonstração de poder de um modelo de desenvolvimento que integra o poder público, o setor produtivo e a ciência e tecnologia com um objetivo claro: garantir que as empresas fundadas aqui permaneçam aqui e se tornem globais sem a necessidade de sair deste local. A afirmação do diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Búrigo Zanuzzi, captura bem o espírito da ocasião, pois startups e pequenos negócios não são pautas distintas, mas sim diferentes fases de uma mesma economia.
No ano de 2018, o objetivo era demonstrar que Santa Catarina realmente merecia estar no mar; agora, em 2026, a meta é navegar nesse mar em direção a um destino específico. Ao que foi observado no primeiro dia, a equipe está mais do que pronta.
0 comentário