
Os espaços de trabalho flexível que integraram ferramentas de inteligência artificial às suas operações apresentam uma taxa de lucratividade de 53,3%, contra 27,4% observados entre os estabelecimentos que não adotam a tecnologia. Os dados constam no Censo Coworking 2026, levantamento realizado pela plataforma de marketplace de escritórios flexíveis Woba. Segundo o estudo, 44% dos operadores do setor declaram utilizar a tecnologia em algum grau, mas apenas 6,7% efetivamente a incorporaram aos processos operacionais do negócio.
De acordo com a organização da pesquisa, os números não estabelecem uma relação direta de causalidade exclusiva entre o uso de IA e o desempenho financeiro. A análise ressalta que a adoção da tecnologia acompanha um perfil de empresas com maior maturidade corporativa, melhores taxas de ocupação e gestão mais estruturada. A penetração da ferramenta é mais acentuada em coworkings voltados ao público corporativo (B2B) e em operações de segmento premium.
Entre as principais aplicações identificadas pelo levantamento, destacam-se as áreas de marketing, atendimento ao cliente, qualificação de leads, agendamento de visitas e elaboração de propostas comerciais. Entre os gestores que ainda não implementaram soluções de IA, as barreiras mais citadas incluem restrições de tempo, desorganização da base de dados e ausência de equipes dedicadas à implementação tecnológica.
“O dado mais relevante não é apenas a diferença de lucratividade, mas o que ela revela sobre o estágio de maturidade das operações. A IA começa a gerar valor quando deixa de ser usada de forma pontual e passa a estar conectada a processos, dados e decisões do negócio. O desafio do setor agora é justamente avançar dessa experimentação para um uso mais estruturado, em que a tecnologia ajude o gestor a entender melhor a operação e tomar decisões com mais informação”, afirma Pedro Vasconcellos, cofundador da Woba.
O levantamento aponta que a consolidação do setor de escritórios flexíveis está atrelada à eficiência operacional e ao uso estratégico de dados. Segundo o executivo da Woba, o foco das operações deve migrar da simples adoção de ferramentas isoladas para a integração da inteligência artificial no suporte às decisões de vendas, atendimento e gestão de ocupação.
O mercado de coworking no Brasil em 2026
Em 2026, o setor de coworking no Brasil indica que está se tornando maduro e consolidado, após um período de rápida expansão que começou na última década. Grandes redes, tanto nacionais quanto internacionais, reestruturaram seus portfólios para priorizar áreas com demanda estável — centros financeiros e bairros voltados para a tecnologia — enquanto os operadores regionais estão se aventurando em nichos como espaços para indústrias criativas, saúde e hubs rurais. A oferta já não se resume a preço por mesa: os clientes agora procuram comunidades, serviços especializados e maior flexibilidade contratual, o que intensificou a competição por diferenciação.
A demanda, por sua vez, continua diversa. Startups em expansão, equipes remotas de empresas consolidadas e trabalhadores independentes ainda representam a maior parte das ocupações, mas a volta dos contratos híbridos corporativos tem sido crucial para a média de ocupações nos espaços. Companhias que, até pouco tempo atrás, buscavam por escritórios tradicionais, agora estão adotando modelos híbridos que incluem planos volumosos de hot desks e salas reservadas por projeto, o que está forçando os espaços de coworking a disponibilizarem tecnologia de reserva, segurança de dados e serviços de facility management integrados.
No que diz respeito ao financeiro, há uma disciplina maior: os ciclos de expansão são agora analisados com base em métricas de ocupação, churn e receita por metro quadrado. Investidores institucionais e fundos imobiliários estão entrando no setor de forma seletiva, priorizando operações que ofereçam um EBITDA claro e contratos corporativos de longa duração. Simultaneamente, a consolidação por meio de aquisições e parcerias estratégicas diminuiu a fragmentação em algumas capitais, ao passo que mercados secundários ainda apresentam oportunidades de crescimento para operadores ágeis.
O desafio para 2026 será manter o equilíbrio entre a escala e a experiência. Quem levar a melhor nessa próxima etapa será o operador que conseguir unir tecnologia (gestão de espaços, analytics e integração com empresas), oferta de serviços (mentorias, eventos e parcerias locais) e eficiência operacional a preços ainda competitivos. Para as cidades do Brasil, o fenômeno do coworking continua a ser um importante agente na reconfiguração dos usos do espaço urbano, na criação de empregos qualificados e na ativação de ecossistemas locais — tanto em grandes centros quanto em polos em ascensão.
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