* Por Marco Camhaji

Creio que, ao longo da vida profissional, um especialista em um segmento experimenta uma série de desafios. Como não poderia deixar de ser, passei por muitos. Um deles foi a alteração do porte de empresas com que eu trabalhava.

Ao longo da minha carreira, fui sócio operacional da Redpoint eventures e CFO na Movile. Passei, também, por Apontador, NetMovies, PricewaterhouseCoopers, KPMG, General Electric e Kyocera Wireless. Você deve conhecer todas essas marcas, de grande relevância em seus segmentos de atuação. Em 2016, porém, mudei completamente o foco da minha carreira.

Foi nesse ano que eu passei a estruturar uma fintech de antecipação de recebíveis, a Adianta. Ela entrou em atuação no mercado pouco depois. E, o principal: ela atua apenas com PMEs (pequenas e médias empresas). Um público diametralmente diferente do que eu estava acostumado a lidar.

Engana-se quem pensa que, por atuar com instituições de menor renome, porte e orçamento, o trabalho é mais acessível. Essa impressão, muito equivocada, por sinal, é muito frequente no mercado de trabalho. Posso dizer, por experiência própria, que cada dia exige um novo aprendizado e um novo foco. Por sinal, é justo dizer que todo dia eu aprendo algo com meus clientes e as instituições com que atuo.

Ao menos por ora, o grande ensinamento que tenho também é uma lição de vida. Quanto mais próxima e estreita for a proximidade com o parceiro, melhor. Muitas vezes, ele não quer, apenas, receber o crédito. Ele também busca um conselho, orientação ou até mesmo algumas dicas para tocar seu negócio. Por isso, é muito importante, também, ter conhecimentos de educação financeira ao lidar com PMEs.

Por erro de estratégia ou falta de experiência, muitos empreendedores acabam cometendo erros de planejamento. Alguns focam em apenas um serviço, enquanto outros acabam expandindo demais seu leque de atuação no mercado. Como em muitas situações, o meio-termo costuma ser a melhor saída. Primeiro, é necessário solidificar a presença de uma empresa com um serviço/produto. Só depois, caso seja identificada e estudada uma oportunidade, uma expansão passa a ser bem-vinda.

Também não são raros, infelizmente, erros de interlocução. E, acredite: isso pode, muitas vezes, impactar financeiramente na PME. Uma maneira errada de entrar em contato com o fornecedor ou o cliente pode causar grandes danos na transação ou, até mesmo, institucionalmente. Confiança e credibilidade são palavras que têm a mesma letra inicial de comunicação não à toa. Importantíssima para qualquer empresa, a relevância de uma instituição depende de como ela se porta ante quem a rodeia.

Por fim, também sinto que, por vezes, empresas de menor porte não conseguem fazer uma rápida reflexão sobre o trabalho que elas mesmas produzem. Entendo a volúpia de empreendedores pela produção, mas a análise de resultados é tão fundamental quanto criações e fabricações. Informações relativas ao que já foi feito serão muito importantes para definir o que deve, o que não deve e, também, como e quais serão os próximos passos a serem dados.

Minha experiência anterior ao trabalho com PMEs me ajudou, é claro. Mas o universo de empresas de menor porte possui peculiaridades tão desafiadoras quanto fascinantes para um empreendedor – o que, obviamente, motiva quem gosta de desafios.

* Marco Camhaji é CEO da Adianta.

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