* Por Denny Mews

MVP é a sigla para Minimum Viable Product ou Produto Minimamente Viável, em português. Trata-se de uma metodologia que prova a visão inicial de um produto ou serviço a ser desenvolvido por determinada empresa que, em linhas gerais, comprova se aquela boa ideia é mesmo interessante para os clientes e se ela possui base para as demandas reais do mercado. Sou um fã da técnica do MVP e a aplico consistentemente em meu negócio. Por isso, gostaria de compartilhar com vocês alguns conceitos sobre esse tema, para que entendam como ele pode potencializar as ideias e projetos da sua empresa.

MVP: definição

O MVP é uma metodologia de testagem para um produto ou serviço ainda em fase de desenvolvimento, o que reduz substancialmente seus riscos, sendo o principal deles, a salvaguarda do investimento. Além disso, também permite aprimorar modelos de negócios e fluxos de processos, por meio de feedbacks dos clientes. As startups são mais conhecidas por adotar o MVP, mas ele já está bastante difundido entre empresas de diferentes portes.

Assim, o objetivo do MVP é desenvolver estratégias para agir pontualmente em aspectos que envolvam desperdício de tempo, dinheiro e recursos. Está diretamente ligado ao conceito de Lean Startup, ou Startup Enxuta, em que se pressupõe atingir a maior qualidade possível, gerando um time-to-market mais imediato e com o menor nível de incertezas.

Tudo isso se aplica a partir de testes primários que validarão a viabilidade do produto ou serviço, com diversas experimentações práticas que serão desenvolvidas para um grupo selecionado de clientes. No entanto, não se trata do produto ou serviço final, mas de uma espécie de ensaio que envolva o mínimo de recursos possíveis e que, em sua totalidade, mantenha as funções da solução para que foi criado.

No caso específico de produtos, essas funcionalidades devem estar agrupadas e não apresentadas de forma avulsa, mesmo que se trate de um protótipo. Logo, oferece-se um produto com um mínimo de funcionalidades para que se possa experenciar de modo prático a reação do mercado e a recepção dos clientes em relação a ele, atestando se, efetivamente, pode solucionar o problema a que se propõe.

MVP: feedbacks de clientes e manifestação do mercado

A aplicação da metodologia do MVP parte de pesquisas qualitativas que permitem que a empresa investigue as variáveis intrínsecas à dinâmica de seus produtos ou serviços no mercado e o comportamento dos clientes. Além disso, identifica suas possíveis falhas, a fim de ajustá-las antes do lançamento integral. Essa pesquisa empírica também possibilita a melhor aplicação de preços e o desenvolvimento de produtos e serviços realmente inovadores.

“Pedir a opinião dos clientes não é científico. Científico é saber como eles vão se comportar diante do seu produto” – Eric Ries

No mais, também permite que a empresa detecte previamente eventuais mudanças na demanda do mercado. Em resumo, o MVP é a aplicação de um modelo que se apoia no feedback do mercado para nortear o desenvolvimento de um produto ou serviço, uma espécie de pontapé inicial de um processo que avança gradativamente para a sua construção total.

Portanto, feedbacks devem ser a base para uma melhoria contínua, até que se alcance relativa certeza de que o produto ou serviço é viável e pode ser disseminado no mercado. Este é um processo longo em que a principal técnica consiste na tentativa e erro.

“Sempre que estivermos diante daqueles problemas muito difíceis, quando ficamos dando voltas e não sabemos o que fazer, tentamos convertê-los para algo simples e direto perguntando: bem, o que é melhor para o nosso consumidor?” – Jeff Bezos

MVP: o ponto ideal

A esta altura você deve estar se perguntando: mas como achar o ponto ideal de seu MVP? Para isso, temos um princípio bem representado na metáfora da Qualidade Cachinhos Dourados, personagem título da história infantil que sempre encontrava o melhor para si mesma diante de três opções de diferentes tamanhos de pratos de sopas para comer, de cadeiras para descansar e de camas para deitar-se.

“Então, Cachinhos Dourados foi procurar outro lugar para descansar na casa e encontrou três camas em um quarto no andar de cima. Ela foi se deitar na primeira cama que era a maior. E a cama era muito, muito dura! Depois foi se deitar na segunda cama, a média, mas ela afundou no colchão que era muito mole. Na cama menor ela ficou bem mais confortável: tinha um tamanho perfeito e era muito quentinha. Ela ficou tão relaxada que acabou adormecendo ali mesmo.”

O MVP funciona como essa escolha de Cachinhos Dourados: precisa ser real o bastante para ser funcional, sem que se invista tempo e dinheiro demais a ponto de não se poder mais se desprender dele. Essa é a fórmula ideal que cada negócio precisa encontrar.

Portanto, entenda alguns aspectos:

– É preciso ter disposição para mudanças;

– Nem todas as ideias dão certo;

– Quanto mais tempo se trabalhar, mais apegado irá ficar.

E você, já aplicou o MVP em sua empresa ou trabalhou em algum projeto que envolvesse essa metodologia? O que pensa sobre ela? Trouxe bons resultados?

* Denny Mews é CEO e fundador da CargOn, startup focada em logística, tecnologia e pessoas.

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