* Por Mariana Hatsumura

Não é nenhum segredo que a COVID-19 mudou o mundo de forma ampla e profunda, impactando todos os setores da sociedade. As pequenas e médias empresas não foram exceção, enfrentando desafios e interrupções sem precedentes, perda de clientes, problemas de fluxo de caixa e rápida mudança para o trabalho remoto.

Em um período de duas semanas, o mundo mudou de uma cultura de escritório e horas úteis para uma cultura em que todos construíam escritórios domésticos, para trabalhar remotamente por tempo indeterminado. Nesse ambiente, flexibilidade e resiliência se mostraram ativos essenciais.

O caminho para a prosperidade começa com a adoção da tecnologia, incluindo um eixo para o trabalho híbrido, o domínio de novas ferramentas e habilidades e um foco maior na segurança. Com o início da recuperação econômica, as pequenas e médias empresas serão a força motriz da prosperidade econômica e motores de crescimento em um novo mercado digital. 

De acordo com o Índice de Tendências de Trabalho Anual da Microsoft, uma pesquisa realizada com mais de 30 mil pessoas em 31 países, muitas mudanças fundamentais ocorreram nos últimos 12 meses. O tempo gasto em reuniões mais do que dobrou (2,5 vezes) globalmente e 40,6 bilhões de e-mails foram entregues a mais em fevereiro de 2021 do que no mesmo mês do ano anterior.

Apesar do aumento da produtividade, é compreensível que as pessoas tenham lutado com o equilíbrio trabalho/vida pessoal, incluindo quando fazer pausas muito necessárias, e a saúde mental geral devido à falta de variedades no ambiente diário.

O estudo global incluiu pesquisas de quatro países latino-americanos: México, Brasil, Colômbia e Argentina, e mostrou que nossos trabalhadores estão mais isolados socialmente no trabalho: 49% dizem que suas interações com colegas de trabalho diminuíram (em comparação com a média global de 40%) e 53% estão mais propensos a considerar uma mudança de empregador no próximo ano (contra a média global de 46%). 

No entanto, algumas dessas dificuldades trouxeram pontos positivos inesperados. A rápida transformação para ambientes de trabalho híbridos, combinando o melhor da distância com dinamismo e comunicação presencial, permitiu que as empresas se mantivessem produtivas enquanto gerenciavam o bem-estar dos funcionários. As ferramentas que escalaram essas tendências incluem videochamada, computação em nuvem, IA e muito mais.  

Isso ficou evidente para a CargOn, startup que emprega tecnologia de ponta no desenvolvimento de soluções logísticas. A empresa foi fundada em 2020, durante a pandemia, e desenvolveu uma plataforma digital para padronizar o trabalho da logística e fazer a conexão entre indústria e transportadoras em Nuvem, com solução de inteligência artificial. Serviços Cognitivos foram utilizados na criação da plataforma, que faz a gestão entre as indústrias e as transportadoras, eleva o nível de segurança, gerando benefícios para todas as partes envolvidas no processo.

Já são mais de 100 mil cargas transacionadas, que representam mais de R$ 250 milhões em fretes. A estrutura sofisticada tem suporte do Azure, que permitiu modernizar sua Nuvem com a aplicação de contêineres, um ambiente que organiza aplicativos ou serviços, junto com seus arquivos de configuração e dependência, facilitando a implantação de aplicativos em ambientes, sem ou com pouca necessidade de modificação. 

Em termos de bem-estar, à medida que as pessoas enfrentavam um estresse sem precedentes, equilibrando os cuidados com as crianças e trabalhando em salas de estar com cães latindo, algo mudou: o trabalho se tornou mais humano. Quase 40% dos entrevistados disseram que se sentem mais confortáveis trazendo tudo para o trabalho do que antes da pandemia, e um em cada seis ficou mais vulnerável chorando com um colega. Aqui no Brasil, 82% das PMEs brasileiras pretendem continuar o processo de adoção de novas tecnologias após a pandemia, segundo estudo da Microsoft, encomendado para a agência de comunicação Edelman. Além disso, a maioria delas (73%) se diz pronta para enfrentar os desafios de marketing digital e 71% estão mais preparadas para as questões relacionados ao trabalho remoto.   

Para milhões de brasileiros, atividades corriqueiras, como pagar uma conta, sempre exigiu planejamento e gastos com deslocamento. Na pandemia, esse deslocamento se tornou ainda menos recomendável e a Celcoin, fundada com o objetivo de facilitar a vida dessas pessoas, se mostrou essencial. A empresa fornece uma plataforma de serviços financeiros conectada a concessionárias, órgãos públicos, operadoras de celular e distribuidores de produtos e serviços, que pode ser acessada por fintechs e por pequenos varejistas através de um aplicativo.

Com a plataforma, fintechs podem oferecer serviços que antes eram restritos aos grandes Bancos, como pagamento de contas e tributos, e ainda recargas de celular, recargas de transporte, transferências e saques na Rede Banco 24 Horas. A startup atende hoje mais de 100 fintechs e está presente em todos os Estados brasileiros. A grande maioria dos beneficados atua em segmentos de serviços essenciais, como farmácias, mercearias e mercados. Durante a pandemia, o volume de transações na rede cresceu 50%. 

Então, o que a PME deve fazer para lidar com essas tendências distintas e se preparar para o sucesso no futuro? Aqui estão dois pontos críticos para acertar: 

Trabalho híbrido – muitas vezes as empresas debatem opções binárias, como trabalho totalmente remoto ou retorno total para ambientes de escritório das 9h às 17h. O melhor caminho costuma estar em algum ponto intermediário, misturando elementos que ajudam a aumentar a produtividade, mas também promovem uma cultura feliz. Os líderes bem-sucedidos precisarão desenvolver planos de desenvolvimento metodicamente que capacitem seus funcionários para ambientes híbridos, unindo os mundos físico e digital.

Reconstrução do Capital Social – cultura não é algo que é “bom ter”, uma vez que um imperativo de negócios e o bem-estar dos funcionários é uma forma fundamental de aumentar a moral e até a produtividade. Esbarrar com pessoas no escritório, almoçar ou reunir-se no bebedouro é incrivelmente importante para construir conexões significativas. Quando você perde isso completamente, corre o risco de impactar a inovação. Pessoas que vivenciaram relacionamentos de trabalho mais fortes também relataram percepções mais positivas da cultura do local de trabalho.

Empresas como a Microsoft deram passos largos no tratamento dessas questões por meio de tecnologia como o Microsoft Viva, uma plataforma de experiência do funcionário que capacita pessoas e equipes a dar o melhor de si, reunindo comunicações, conhecimento, aprendizagem, recursos e percepções no fluxo de trabalho. Com o Viva, as pequenas e médias empresas podem fomentar uma cultura em que as equipes têm o poder de dar o melhor de qualquer lugar, a qualquer hora. Os líderes do futuro competirão pelos melhores e mais diversos talentos (incluindo diversidade de etnia, gênero, orientação sexual, idade e muito mais) e devem oferecer programas de bem-estar social premium que possam ajudar cada grupo de maneira única. 

Antes da pandemia, muitos líderes empresariais estavam atolados em formas antiquadas de fazer negócios e confortáveis com o status quo. A pandemia foi uma tragédia em escala inimaginável, mas um ponto positivo surge em seu rastro: as pequenas e médias empresas receberam um alerta muito necessário para evoluir para a nova economia digital. A realidade é que não estamos mais presos às noções tradicionais de espaço e tempo, e devemos descartar a noção de que as pessoas precisam trabalhar no mesmo lugar ao mesmo tempo para serem produtivas. Os líderes bem-sucedidos do amanhã devem enfatizar estratégias híbridas, capital social e bem-estar do funcionário. Se pudermos ser experimentais e empáticos, o futuro do trabalho será brilhante em mais de um aspecto.


Mariana Hatsumura, é diretora de trabalho moderno da Microsoft Brasil.

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