* Por Tatiana Pimenta

A saúde mental nunca foi um assunto tão debatido. Estamos vivendo um momento que deixou ainda mais clara a importância dos cuidados com a saúde da mente para a longevidade do bem-estar psicológico. Desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil e no mundo, milhares de pessoas tiveram sintomas de depressão e ansiedade, instigando conversas sobre transtornos mentais e a necessidade de terapia. 

É propício aproveitar esse momento para explorar outras áreas cujo cuidado com a saúde mental é escasso ou necessita de aprimoramento. 

As organizações são responsáveis pelo bem-estar físico e emocional de seus funcionários. Empresários, empreendedores e gestores estão a par do estresse vivenciado no ambiente profissional uma vez que também são vítimas dele. Portanto, é imperativo que empresas desenvolvam estratégias para criar locais de trabalho saudáveis, cooperativos e inclusivos. 

Além disso, devem criar uma cultura de trabalho livre de estigmas acerca das necessidades emocionais de cada colaborador, independente de sua origem, nacionalidade, orientação sexual, gênero e condição financeira. A menos que o autocuidado seja normalizado dentro da empresa, os funcionários sentirão vergonha e hesitarão em buscar tratamento. 

A responsabilidade social das empresas 

Em resposta às novas tendências sociais, protestos globais por justiça de grupos minoritários e preocupações crescentes acerca do bem-estar coletivo, as empresas estão cada vez mais enfatizando um compromisso com a inclusão e a igualdade social. Muitas campanhas publicitárias de grandes marcas têm como pauta a luta contra problemas sociais, como racismo, homofobia e machismo. 

Um exemplo recente é o apoio que grandes corporações e pequenos negócios norte-americanos demonstraram à causa Black Lives Matter, contra a discriminação e a violência policial direcionada a pessoas negras nos Estados Unidos, em meio aos protestos que sucederam a morte de George Floyd em 2020. 

Entretanto, não é necessário somente trabalhar em fatores externos, como campanhas publicitárias que visam partilhar o posicionamento da empresa em relação às causas sociais. É preciso viver as palavras de apoio, de conscientização e de esperança empregadas no discurso de responsabilidade social. 

Isso quer dizer dar atenção a questões de diversidade étnica, sexual, financeira e de gênero dentro e fora da empresa. A responsabilidade social empresarial tem como principal objetivo melhorar o ambiente profissional e a comunidade dependente da empresa, como funcionários, fornecedores, parceiros, acionistas e seus familiares. 

As ações de uma organização com grande alcance têm o poder de inspirar as comunidades a agirem e pensarem de determinada forma, bem como melhorar a sua qualidade de vida. Devido à magnitude desse impacto, é essencial começar a ver a saúde mental acessível e inclusiva como imperativa no planejamento estratégico.

Além disso, para muitos consumidores, o engajamento das empresas em causas de interesse social é um fator determinante para que optem por elas e passem a apoiá-las a longo prazo.

A criação de uma cultura de cuidados com a saúde mental livre de preconceitos é uma forma eficiente de as empresas atingirem esses objetivos. Afinal, o burnout, a ansiedade e a depressão são condições debilitantes que inviabilizam tanto o trabalho quanto o aproveitamento da vida social, familiar e afetiva. 

Saúde mental e diversidade 

O que a diversidade tem a ver com saúde mental? Considerando que o ambiente profissional não é homogêneo e estático, a resposta é: tudo.  

A experiência de conviver com um transtorno mental é diferente para cada grupo. O contexto cultural e socioeconômico afeta o modo como as pessoas conversam sobre saúde mental e lidam com problemas de origem psicológica. 

No Brasil, não é raro encontrar indivíduos pertencentes a certos grupos sociais que passam diariamente por maiores cargas de estresse, preocupação, ansiedade e medo do que outros. Eles certamente precisam de um cuidado diferenciado com a saúde mental em razão de suas experiências de vida e dilemas pessoais. 

As empresas devem considerar como pessoas de grupos diferentes influenciam o ambiente de trabalho, bem como a performance da organização, para compreender a experiência de todos e como integrá-las em suas normas internas. Caso contrário, podem criar problemas de difícil resolução e prejudicar a saúde mental dos colaboradores. 

Por exemplo, funcionários homossexuais encorajados a seguir o comportamento da maioria para preservar a “discrição do ambiente de trabalho” escondem a sua individualidade para fugir da estigmatização. Um estudo desenvolvido pela Psychology Today (2018) descobriu que essa atitude reduz a satisfação com o trabalho e o comprometimento com a empresa. 

Como é possível atender às necessidades de grupos sociais distintos? Como ouvir o que eles têm para dizer sobre as suas vivências, desafios e expectativas? Como promover o respeito para o bem-estar coletivo? Como encontrar a melhor forma de se comunicar com diferentes grupos sociais?

Essas questões precisam ser respondidas para que o cuidado com a saúde mental como apoio à diversidade seja eficaz. O “X” da questão não deve ser as diferenças existentes entre os funcionários, mas como os gestores lidam com elas.

Terapia organizacional voltada à diversidade

Um dos benefícios da terapia organizacional é justamente a compreensão dos efeitos do ambiente e do fluxo de trabalho, bem como da cultura organizacional, na performance e saúde mental dos colaboradores. 

A partir desse período de observação e conversas é possível identificar as necessidades de cada indivíduo. Assim, essa informação pode ser usada para desenvolver estratégias e políticas para assegurar a inclusão dos funcionários.  

A terapia para empresas também trabalha diretamente com dilemas emocionais dos trabalhadores. O psicólogo organizacional auxilia os colaboradores a encontrarem soluções para problemas relacionados ao trabalho, considerando a sua individualidade, habilidades e experiências de vida.


Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude. Única brasileira finalista da premiação internacional Cartier Women’s Initiative Awards em 2019. Engenheira que se apaixonou pela Psicologia, pelo estudo constante do comportamento humano e da felicidade. Com mais de 15 anos de experiência profissional, foi executiva de sucesso em empresas de grande porte como Votorantim Cimentos e Arauco. É colunista dos portais Money Times, Startupi e Superela.

Publicação Original


0 comentário

Deixe uma resposta