* Por Elber Mazaro

Eu acabei produzindo uma série de artigos, inicialmente, como textos de apoio para um curso de EAD, mas que permitiram expor a minha perspectiva sobre a evolução da tecnologia e a sua relação com o mundo dos negócios.

É interessante, porque eu atuo neste contexto, há mais de 30 anos, e pouco tinha escrito sobre o tema, priorizando a produção de artigos em outras áreas de especialização, como: marketing, estratégia e gestão, liderança, empreendedorismo e carreiras.

Provavelmente, por não me ver mais como um profissional técnico, por não trabalhar diretamente na indústria desde a minha saída da Intel, há nove anos atrás, e também porque já tem muita gente, escrevendo, palestrando e falando sobre o tema, em especial, o deste artigo.

Desde que iniciei os artigos, me senti bem, por poder compartilhar um conteúdo que existia na minha cabeça, e em um monte de slides de Powerpoint, utilizados para palestras e aulas de disciplinas como Introdução a Internet das Coisas ou Marketing Digital & Growth.

Quando escrevemos, temos a oportunidade de refletirmos sobre o conteúdo, normalmente revisamos o texto, e isso permite aprendizados, ganhos, melhorias e aprofundamentos, por isso, aqui vai mais um exercício, agora abordando a transformação digital.

Estamos em um momento em que o termo é moda, e muitas empresas o adotaram para definir o seu processo de mudanças de modelo de negócios, ou a informatização das suas vendas, ou mesmo a oferta de novos produtos e serviços no ambiente digital, ou na internet.

Curiosamente, eu usei o termo transformação digital, entre 2011 e 2012, e na época achava que estava sendo original. Depois de alguns anos o termo começou a ser usado em larga escala, em várias situações, em especial na indústria/segmento de tecnologia.

A minha visão era, ou melhor, ainda é, de que todos os negócios e segmentos serão transformados de alguma forma pela tecnologia. E, portanto, as organizações, empresas e pessoas deveriam entender mais sobre as possibilidades, as tendências e as aplicações da tecnologia, para poderem inovar e até mesmo sobreviver no mercado.

Transformação digital, então pode ser entendida como o processo para empresas que tem um modelo ou negócio que pode e deve migrar ou evoluir para ter no “core business” o elemento tecnológico/digital, muitas vezes relacionado com a internet, mas que pode ir muito além.

Muitas empresas tratam a tecnologia, através de área de TI (Tecnologia da Informação), como uma função de suporte e infraestrutura, não tendo envolvimento na estratégia do negócio, e nesse caso não há transformação digital efetiva.

Algumas organizações avançam com a implantação de sistemas, mas ainda como ferramenta para as áreas de negócio, não fazendo parte do “core” das áreas de negócio, ou do relacionamento e gestão dos clientes, ou do desenvolvimento de produtos, e assim por diante.

A transformação digital pode ser bem radical, quando a empresa se encontra em uma situação como a descrita nos parágrafos anteriores, e se não for bem feita, pode ser o fim da organização, principalmente se no segmento já existirem competidores avançados e inovadores, com a tecnologia nos negócios.

Resumindo a transformação digital pressupõe a empresa fazendo negócios digitais e não só usando a tecnologia para fazer negócios.

Considerando-se uma boa transformação digital, aquela que traz resultados, amplia o negócio, traz escala, traz relacionamento e engajamento, e se apoiará em processos, pessoas e tecnologia (nenhum desses três elementos isoladamente, atingirá os objetivos). 

Ainda podemos discutir o quanto é necessária uma transformação cultural na empresa/organização, para a implantação dos processos, adequação do pessoal e uso correto da tecnologia.

Entendendo assim, um pouco mais de transformação digital, eu gostaria de trazer algumas tecnologias que na prática, transformam ou transformarão os negócios, muitos mercados e organizações, nos próximos anos, e que não são mencionadas nas megatendências (outro artigo).

A primeira tecnologia transformadora que gostaria de apresentar, é a Internet das Coisas, ou IoT (Internet of Things). Apontada como uma grande revolução, tanto para o mundo dos negócios como para a sociedade.

Resumindo, a implantação de soluções com internet das coisas tem o objetivo e o potencial de trazer ganhos de tempo, de eficiência e produtividade. 

Também pode criar novos negócios e mercados, com muitas oportunidades para novos modelos de negócio e para a própria transformação digital de organizações e segmentos.

Basicamente as soluções de internet das coisas se baseiam na instalação de sensores em qualquer coisa, que vão gerar dados para serem armazenados e processados, ao mesmo tempo que a coisa é conectada à internet, para enviar e eventualmente receber dados, comandos e informações. Sistemas no “backend” vão transformar os dados em informações, em insights, inteligência, conhecimento e consequentemente resultados e negócios.

Pense na internet como uma grande rede, que conecta computadores e passou a conectar pessoas, e agora conecta coisas (pode ser uma geladeira, um relógio, uma máquina industrial, um veículo ou um boi). Esta possibilidade é a integração definitiva do mundo físico, onde uma máquina pode “falar” com outra, pela internet, com o mundo digital dos sistemas computacionais (bits e bytes).

A internet das coisas, está conectando bilhões de dispositivos todo ano, e está revolucionando soluções para segmentos, como: manufatura, segurança, saúde, varejo, logística e transportes, roupas e acessórios, entre outros.

Outra tecnologia a ser destacada como transformadora e que está diretamente ligada à expansão da internet das coisas, é o padrão 5G (quinta geração) para conexões sem fio, normalmente a banda larga para conexão de dispositivos móveis, em especial smartphones.

A grande revolução com o 5G é o que será possível com conexões muito mais rápidas e estáveis. A mobilidade, uma das megatendências, pode se expandir e impactar um número enorme de pessoas, organizações e “coisas”. 

O 5G é o ingrediente chave para viabilizar as “cidades inteligentes”, com a troca de um volume maior de informações, com qualidade nas conexões e consequentemente mais segurança também. Novas aplicações, mais sofisticadas e “pesadas” estarão disponíveis em escala.

O conceito de cidades inteligentes, que não só são monitoradas, mas onde todos os dispositivos (coisas) dos serviços públicos estarão conectados e interagindo com a população e com outras “coisas” privadas, por exemplo seu carro, avisando de situações de trânsito ou de condições climáticas e ativando rotas alternativas que são sinalizadas por letreiros públicos, etc.

Cidades inteligentes e internet das coisas, conectadas por 5G, também tem relação com a gestão de energia, onde novas tecnologias viabilizam novas fontes de energia (eólica, solar, etc.), preferencialmente mais limpas, ou seja, menos poluentes para o meio-ambiente. 

As fontes de energia renováveis e limpas / verdes, em conjunto com novas tecnologias para baterias podem revolucionar muitos negócios, principalmente se estivermos falando de sistemas integrados, com diferentes fontes geradoras e consumidoras, otimizando a produção, o armazenamento (quando necessário), a transmissão e o uso de energia no planeta.

Aproveitando todo esse contexto das cidades inteligentes e da revolução do IoT e as rápidas conexões do 5G, estamos vendo o crescimento exponencial de outras soluções de mobilidade, como por exemplo, os drones e os veículos autônomos.

Os drones estão evoluindo em capacidade de carga, e velocidade, enquanto sistemas, normalmente baseados em inteligência artificial, melhoram a gestão desses objetos voadores e seus custos caem com o aumento da escala.

Outro dia ouvi um exemplo de aplicação dos drones, que mudaria totalmente a logística e o conceito dos portos. Imagine drones, indo até navios e recolhendo os containers e colocando-os diretamente em caminhões ou algum outro tipo de veículo para transporte ou mesmo no estabelecimento final, como uma fábrica. Poderíamos ter portos sem filas de navios para atracar e usar poucos guindastes, relativamente lentos. 

Teremos mais agilidade e quantidade de dispositivos para carga e descarga, provavelmente por um custo bem menor ao de hoje, devido ao potencial de escala, podemos ter muitos drones em vários locais próximos ao litoral, nesse exemplo de portos e logística.

E isso é só uma aplicação possível. Imagine o setor agro, o combate ao desmatamento e aos incêndios, além do óbvio setor de entregas, que poderia contar com drones no ar e veículos autônomos para o “delivery”.

Isso me lembra, de chamar a atenção para os avanços da robótica, com mais tipos de robôs, usados não só em fábricas, mas também no setor de serviços, na saúde, etc, com mais movimentos, mais precisão, mais velocidade, e assim por diante. Até microrobôs. 

Por fim, gostaria de apontar a tecnologia blockchain como revolucionária para os negócios e para as pessoas. Eu acredito que o principal benefício que podemos ter, da tecnologia também usada na criptomoeda Bitcoin, é a desintermediação.

A tecnologia de blockchain, permite que ativos sejam registrados e identificados com segurança, na internet, criando uma cadeia de blocos distribuídos, onde só o dono da chave e consequentemente do ativo, tem acesso e é capaz de acionar, transferir, comercializar, etc.

Um exemplo de benefício do blockchain, seria a eliminação dos cartórios, pois não seria necessário um terceiro para dizer que a sua assinatura é sua, ou que o imóvel ou veículo realmente te pertencem, pois o registro eletrônico, em princípio inviolável, seria suficiente. As auditorias também seriam impactadas.

Marcas, patentes e outros ativos físicos e agora digitais (pesquise pela tecnologia NFT), inclusive moedas, podem ser acessados e transacionados, com segurança e privacidade.

O desafio que impede a ampla expansão dessa tecnologia, além dos interesses dos setores que podem ser impactados, como os intermediários, está no poder computacional necessário para a geração das chaves e na gestão das demais ações e transações com os ativos, que também precisam de ampla possibilidade de armazenamento e de conectividade.

Já sabemos pelo histórico dos últimos anos, que é só uma questão de tempo, devido à evolução exponencial das demandas contínuas da tecnologia (3+1 – processamento, armazenamento, conectividade e segurança) e da lei de Moore, para que tenhamos a capacidade necessária em escala, com custos acessíveis.

Espero que essas tecnologias e exemplos de transformação digital, possam ter criado referências para os negócios, para as empresas/organizações e para profissionais também.

A transformação digital do mercado, do ambiente, dos negócios e de toda sociedade já está acontecendo, conforme as tecnologias citadas aqui e outras não mencionadas, se tornam disponíveis e viáveis. 

Caso você esteja envolvido no mundo dos negócios e/ou considerando algum tipo de transformação digital, precisa estar por dentro desses movimentos e dessas tecnologias, para ter chance de prosperar.

A transformação digital irá afetar direta ou indiretamente todos os negócios, de todos os portes, de maneira positiva ou negativa, mas será inexorável. 

Então, o que você vai aproveitar?

Mãos-a-obra!


Elber Mazaro é assessor/consultor, mentor e professor em Estratégia, Tecnologia, Marketing, Carreiras/Liderança e Inovação/Empreendedorismo. Atua há mais de 25 anos no mercado, liderando negócios no Brasil e na América Latina. Possui mestrado em Empreendedorismo pela FEA-USP, pós-graduação em Marketing e bacharelado em Ciências da Computação.

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