
As áreas de inovação nas empresas brasileiras ganharam espaço estratégico e proximidade com as decisões de negócio em 2026, mas enfrentam dificuldades para mensurar o retorno financeiro das suas atividades. É o que revela a terceira edição do estudo “O Futuro da Gestão da Inovação”, realizado pela consultoria Inventta em correalização com Cubo Itaú, Fundação Dom Cabral, CNI, Ecossistema Inova, Amcham Brasil e ANPEI. O levantamento, que ouviu 300 profissionais, aponta que a busca por crescimento é o principal objetivo da área para 56% das organizações, enquanto 46% citam a pressão por resultados de curto prazo como a maior barreira enfrentada.
Os dados evidenciam um descompasso entre a percepção do valor gerado pela inovação e a capacidade técnica de comprová-lo numericamente. Embora 82% das companhias relatem impactos positivos em eficiência operacional, apenas 44% possuem indicadores numéricos que sustentam os resultados obtidos. O cenário se repete no quesito receita: 77% observam avanços com a inovação, mas somente 42% conseguem quantificar os ganhos. No consolidado dos cinco tipos de retornos analisados pela pesquisa — eficiência, receita, qualidade, experiência do cliente e novos negócios —, as companhias conseguem mensurar, em média, apenas 1,9 deles, enquanto 32% dos respondentes não utilizam nenhuma métrica numérica.
A ausência de acompanhamento também afeta a visão de longo prazo dos investimentos. Segundo o levantamento, 46% das empresas não monitoram a parcela da receita atual oriunda de produtos e serviços lançados nos últimos três anos, e 45% não mensuram os ganhos obtidos com a redução de custos. De acordo com o diretor de Estratégia e Inovação da Inventta e responsável pela pesquisa, Henrique Monteiro, a prioridade das lideranças deve ser a conversão da percepção informal em indicadores estruturados. Para o executivo, a mudança é fundamental para orientar tomadas de decisão e aprimorar a gestão dos projetos.
A capacidade de mensurar resultados impacta diretamente a longevidade das áreas dedicadas ao setor. Das companhias consultadas, 55% mantêm uma estrutura exclusiva de inovação. Entre as empresas onde a área cresceu nos últimos dois anos, 80% afirmaram medir os impactos do setor e 56% comprovam ao menos um resultado numericamente. Em contrapartida, nas companhias onde o departamento foi reduzido, extinto ou absorvido (19% do total), os percentuais de acompanhamento caem para 61% e 22%, respectivamente. O estudo indicou ainda que 47% das organizações acompanham o impacto no negócio, e que apenas 13% monitoram simultaneamente as camadas de esforço, entrega e resultado.
O lançamento oficial da pesquisa ocorreu no Cubo Itaú, em São Paulo, reunindo executivos de empresas como BASF, Thermo Fisher Scientific, Indorama Ventures, Nexa Resources e EDP para debater a integração entre tecnologia, estratégia e governança. Durante o encontro, a adoção de inteligência artificial aplicada foi destacada por 39% dos entrevistados como recurso prioritário na gestão da inovação, ficando atrás apenas da alocação de orçamento dedicado (budget), citada por 41%. Conforme o levantamento da Inventta, o avanço da maturidade corporativa depende da seleção de poucas práticas diretamente conectadas às metas de negócio, superando iniciativas isoladas sem acompanhamento contínuo.
O estudo completo O Futuro da Gestão da Inovação 2026 está disponível para download: https://materiais.inventta.net/estudo-o-futuro-da-gestao-da-inovacao-2026
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