* Por Francisco Ferreira

As fintechs chegaram há poucos anos no país e, se no início preocupavam pouco os gigantes já estabelecidos no setor, hoje a história é outra. As fintechs não chegaram com a missão de assustar grandes corporações financeiras, mas de simplificar a vida do cliente final. Um objetivo cumprido com tanta eficiência que, não por acaso, o número de marcas que oferecem soluções financeiro-tecnológicas mais ágeis e práticas só cresce. 

Nem a crise provocada pela covid-19 foi capaz de abalar o setor, que acabou vivenciando, em 2020, seu melhor ano em termos de investimentos. Para se ter uma ideia, somente no último ano, as startups captaram, juntas, R$ 1,9 bilhão de dólares, segundo um estudo divulgado pela Inside Brasil.

Isso sem falar no valor intangível que as fintechs acumularam ao provar que, especialmente em um momento de crise global como esse, conseguem ser muito mais céleres e empáticas que o mercado financeiro tradicional na entrega de soluções – tanto para pessoas físicas quanto jurídicas em todo o país.

É sempre bom trazer um pouco de contexto a respeito do boom das fintechs. O índice de insatisfação dos usuários de grandes bancos (no Brasil e no mundo), junto às altas taxas cobradas, escassez de crédito e grande burocracia, abriu brechas para que novas organizações surgissem com soluções mais atrativas e focadas em necessidades específicas de cada cliente. Quanto mais senso de urgência do lado das empresas desse setor, menos tempo do cliente é desperdiçado. E o cliente percebeu que esse é o jogo que faz sentido. Não tem mais como voltar atrás.

E nada disso seria possível sem abraçar a tecnologia como um aliado acessível a todos – e não mais um enigma para poucos. Essa foi a premissa para transformar, para sempre, a relação entre pessoas e dinheiro no mundo digital. Agora, por exemplo, não é preciso mais ir até uma agência bancária e passar por uma série de processos burocráticos para a abertura de uma conta PJ e fazer todas as transações ligadas a ela.

Tudo isso pode ser feito em minutos, pelo próprio celular, tornando os serviços bancários mais rápidos e eficientes, tanto para o consumidor final quanto para as empresas. O mesmo para transferências, pagamentos, agendamentos, empréstimos e uma série de outros serviços que, há poucos anos, exigiam desgastes enormes de tempo (e paciência).

A regra é simples. Muda a vida do cliente? Simplifica, desburocratiza e deixa mais inteligente? Então, tem espaço. Essa é a lógica dos modelos de negócios evolutivos – aqueles que conseguem acompanhar e responder, com o máximo de rapidez, aos questionamentos do consumidor. Nessa linha, nasceram a Uber e o Airbnb, marcas que foram capazes de questionar indústrias fortíssimas e em nível global. Aos gigantes e veteranos, sejam eles de qualquer segmento, cabe escolher: resistir ou evoluir? 

* Francisco Ferreira é CEO e co-fundador da BizCapital.

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