O uso de estabelecimentos comerciais como pontos de coleta e entrega de pacotes — modelo conhecido pela sigla PUDO (Pick up and Drop off) — cresceu 53% entre as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com a 5ª edição do relatório Mapa da Logística, publicado pela empresa de logística Loggi, a modalidade já representa 39% de todas as postagens realizadas por negócios desse porte no país, sinalizando uma busca por flexibilidade operacional fora do modelo tradicional de coleta domiciliar.

Descentralização geográfica e novos polos

Os dados do levantamento mostram uma diferença estrutural entre a operação de pequenos comerciantes e a de grandes marcas. Enquanto mais de 67% dos pacotes de grandes empresas continuam partindo do estado de São Paulo, o volume de origens de PMEs paulistas cai para cerca de 40%. Em contrapartida, estados do Sul e Sudeste ganham relevância na origem dos envios das PMEs, com Santa Catarina representando 15%, o Paraná 9% e Minas Gerais 9%. A presença regional dos pequenos e médios negócios também se estende para além do eixo principal, com o Sul respondendo por 26% dos envios, o Centro-Oeste por 6% e o Nordeste por 4%.

A expansão do volume transacionado no período reflete o crescimento em mercados fora dos grandes centros urbanos. Considerando a movimentação conjunta de PMEs, grandes empresas e marketplaces, o estado de Santa Catarina liderou a alta de envios no primeiro semestre de 2026, com avanço de 24% ante o mesmo período de 2025. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (23%), Paraná (17%), Distrito Federal (10%) e Ceará (4%). A diversificação de categorias de produtos comercializados também impulsionou o volume geral, liderada pelos segmentos de móveis e decoração (alta de 105%), alimentos não perecíveis (25%) e artigos de ótica (20%).

Autonomia operacional e impacto nas datas comemorativas

A busca por rotas alternativas e estruturas menos rígidas visa adaptar a operação ao ritmo diário dos empreendedores. Segundo Juliana Fracchia, diretora-executiva de Receitas e Clientes da Loggi, a expansão dos pontos de envio reflete a tentativa das empresas de obter maior adaptabilidade. “A expansão dos pontos de envio mostra que as PMEs estão buscando uma logística mais flexível e adaptada à realidade de seus negócios. Mais do que uma alternativa para enviar produtos, esses estabelecimentos ajudam a ampliar as possibilidades de operação e dão ao empreendedor mais autonomia para escolher como e quando postar seus pedidos”, afirma a executiva. Fracchia complementa que “à medida que o e-commerce se torna mais competitivo, ter uma logística eficiente, previsível e adequada à dinâmica de cada negócio passa a ser um diferencial importante para crescer”.

A dinâmica do calendário varejista no primeiro semestre manteve o patamar de exigência sobre as redes de distribuição. Nas semanas que antecederam o Dia do Consumidor e o Dia dos Namorados, os grandes negócios registraram avanços de 9% e 4% nos volumes transportados, respectivamente, enquanto a semana do Dia das Mães apresentou estabilidade operacional. Segmentos como cosméticos e perfumaria, vestuário, eletrônicos e alimentos mantiveram a liderança de volume em todas as datas analisadas. Segundo o levantamento, a operação coberta no período percorreu 17,5 milhões de quilômetros, registrando que mais de um terço das entregas em mais de 5 mil municípios foram concluídas em até dois dias, e metade em até três dias.

Próximos passos e eficiência operacional

Diante da maior dispersão das vendas pelo país e do crescimento das exigências por prazos menores, a consolidação dos pontos de coleta surge como alternativa para otimizar os custos de primeira milha para as PMEs. Conforme avalia Juliana Fracchia, a sustentabilidade dessa expansão dependerá da capacidade de leitura das mudanças de hábito do consumidor. “Os dados reforçam que o planejamento logístico precisa acompanhar não apenas os grandes picos de demanda, mas também as mudanças no comportamento do consumidor e a diversificação dos negócios que vendem pela internet”, pontua a executiva. O cenário aponta para uma integração cada vez maior entre estabelecimentos comerciais locais e redes de transporte para sustentação do fluxo de vendas online nos próximos ciclos do varejo.

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